No Distrito Federal, um grupo de deputados decidiu criar uma frente parlamentar dedicada à defesa de colecionadores, atiradores e caçadores — os chamados CACs.

A proposta foi apresentada pelo deputado Roosevelt Vilela (PL) e segue uma linha política que o Partido Liberal vem defendendo em âmbito nacional: a valorização das atividades relacionadas ao tiro esportivo, ao colecionismo e à posse legal de armas.

Segundo a justificativa do projeto, o número de CACs no Brasil cresceu de forma expressiva nos últimos anos, com cerca de 1 milhão de registros, de acordo com dados citados da Polícia Federal.

O documento afirma que o Distrito Federal possui uma presença relevante de clubes de tiro e praticantes dessas atividades, o que justificaria a criação de um espaço institucional permanente para discutir o tema.

Mas a criação da frente parlamentar também reacende um debate que permanece sensível no país: o impacto da ampliação do acesso a armas.

Dados do sistema de controle do Exército mostram que 2.826 armas registradas em nome de CACs foram roubadas ou furtadas no Brasil entre 2018 e 2022.

Armas que desaparecem de registros legais podem acabar circulando no mercado ilegal, segundo especialistas em segurança pública.

Além disso, investigações policiais em diferentes regiões do país já registraram casos em que armas legalmente registradas em nome de CACs foram utilizadas em crimes.

Entre os episódios que chamaram atenção estão um caso de feminicídio no Distrito Federal envolvendo um CAC, um ataque armado em Novo Hamburgo que deixou três mortos e um homicídio investigado em Joinville.

Esses episódios não representam todos os praticantes da atividade, mas ilustram como o debate sobre armas envolve questões complexas de segurança pública.

E é justamente nesse contexto que deputados decidiram criar uma frente parlamentar dedicada à defesa dessa categoria.

A iniciativa é legítima do ponto de vista legislativo.

Mas também revela uma escolha política clara sobre quais temas conseguem mobilizar articulação parlamentar.

Em um momento em que o Distrito Federal enfrenta desafios sociais importantes, a criação de uma frente parlamentar voltada aos CACs inevitavelmente abre espaço para uma pergunta simples:

quais outras causas poderiam receber o mesmo nível de prioridade dentro da política local?