Doenças silenciosas, altamente contagiosas e, em alguns casos, fatais, ainda fazem parte da realidade de muitos gatos — especialmente quando a vacinação não está em dia. A boa notícia é que grande parte dessas ameaças pode ser evitada com um protocolo simples e acessível de vacinação para esses felinos, o que torna de extrema importância que os tutores conheçam essas obrigações e os momentos certos para aplicá-las.
Apesar do calendário vacinal costumar ser seguido em filhotes, há ainda uma crença muito popular de que essas doses continuam a valer durante toda a vida dos pets, o que não é verdade. Normalmente, entre os dois e três anos, os anticorpos costumam ser perdidos, o que exige que tomem novamente as vacinas necessárias conforme sua idade.
As obrigatórias para os gatos incluem a V3 (tríplice), a qual protege contra panleucopenia, calicivirose e rinotraqueíte; V4 (quádrupla), que inclui todas da V3 + Clamidiose; e a V5 (Quíntupla), a qual abrange as da V4 + Leucemia Felina (FeLV), considerada como a mais completa disponível. Essa última pode apenas ser aplicada mediante resultado negativo do teste prévio de FeLV, não sendo recomendada para os pets positivados.
Tudo isso, além da vacina antirrábica, obrigatória para proteger contra a raiva, fatal para gatos e transmissível a humanos. Mesmo sendo amplamente conhecida, ainda vemos casos constantes diagnosticados dessa doença no país. Dados da Vigilância Sanitária registraram 50 ocorrências no país entre 2010 e 2025, reforçando não apenas a preocupação sanitária, como ainda um comportamento negligente com a imunização antirrábica que, assim como as demais doenças capazes de acometer os felinos, pode gerar problemas graves aos animais e humanos.
O calendário vacinal para cães e gatos é anualmente atualizado pela WSAVA (Associação Mundial de Veterinários de Pequenos Animais), emitindo orientações seguidas por veterinários mundialmente para garantir cuidados padronizados a esses pets. Segundo seu protocolo mais recente, filhotes felinos devem receber duas doses com intervalo de 21 dias entre cada uma. Depois, tanto a V4 quanto a V5 podem ser aplicadas a cada ano.
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A depender da região, esses prazos podem ser alterados, caso haja uma maior quantidade de doenças diagnosticadas em locais com maiores problemas sanitários, por exemplo. Mas, de nada adianta ter medidas favoráveis nesse sentido, sem que os tutores realmente compreendam a importância de manter tais vacinações em dia, protegendo o pet de forma que desenvolva defesas contra doenças que, muitas vezes, são silenciosas, altamente contagiosas e potencialmente fatais.
Isso, além de contribuir para reduzir a circulação de vírus no ambiente, criando uma espécie de “barreira coletiva”, também é fundamental para a proteção do ser humano. A raiva é um exemplo clássico disso, pois embora rara, é praticamente 100% letal após o aparecimento dos sintomas, o que reforça a essencialidade da vacinação em dia como uma medida de saúde pública.
Seguir corretamente o calendário vacinal — desde as primeiras doses ainda filhote até os reforços anuais — garante que o sistema imunológico do gato esteja sempre preparado, enquanto atrasos ou falhas nesse processo podem deixar “brechas” na proteção do pet, aumentando sua vulnerabilidade a infecções e doenças graves.
Nathali Vieira é médica veterinária na Pet de TODOS.
