A percepção de risco em relação à raiva mudou ao longo dos anos. Para muitos tutores, especialmente os que vivem em centros urbanos, a doença deixou de fazer parte da rotina, o que pode levar à impressão de que ela não representa mais uma ameaça real. No entanto, essa mudança está muito mais relacionada à menor visibilidade do problema do que à sua eliminação.
A raiva continua sendo uma zoonose viral de altíssima letalidade, causada por vírus do gênero Lyssavirus, que afeta o sistema nervoso central de mamíferos. Trata-se de uma infecção com uma característica crítica: após o início dos sinais clínicos, não há tratamento capaz de reverter o quadro, tanto em animais quanto em humanos.
“A raiva é uma das poucas doenças infecciosas em que a prevenção não é apenas recomendada, mas absolutamente determinante. Uma vez que o vírus atinge o sistema nervoso central, a evolução é praticamente irreversível”, explica Bianca Fenner, médica-veterinária e coordenadora de marketing da Unidade Pet da Ceva Saúde Animal.
Como o vírus se transmite
A transmissão ocorre principalmente por meio da saliva de animais infectados. A mordida é a forma mais conhecida, mas não a única. O vírus também pode ser transmitido quando há contato da saliva com mucosas – como olhos, boca e cavidade nasal – ou com feridas abertas na pele. Em menor frequência, arranhões contaminados também podem representar uma via de infecção, especialmente quando há presença de saliva no local.
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Esse ponto é relevante porque amplia a compreensão sobre exposição. A transmissão não depende apenas de ataques evidentes, mas de qualquer situação em que o vírus tenha acesso ao organismo.
O que acontece no corpo do animal
Uma vez inoculado, o vírus não circula pela corrente sanguínea como a maioria dos agentes infecciosos. Ele invade as terminações nervosas e migra lentamente pelo sistema nervoso em direção ao cérebro. Esse deslocamento explica o período de incubação variável da doença, que pode durar de semanas a meses, dependendo da quantidade de vírus e da proximidade da região afetada em relação ao cérebro.
Quando o vírus atinge o sistema nervoso central, inicia-se um processo inflamatório progressivo – a encefalite viral. A partir desse momento, a doença entra em sua fase clínica, com evolução rápida e grave.
Os primeiros sinais geralmente envolvem alterações comportamentais: o animal pode apresentar inquietação, agressividade, medo ou mudanças no padrão habitual de interação. Com a progressão, surgem dificuldade de deglutição, hipersalivação e desorientação – seguidos de perda de coordenação motora, paralisia progressiva e, por fim, falência respiratória.
“Os sinais clínicos refletem exatamente o trajeto do vírus no organismo. Quando eles aparecem, o sistema nervoso já está comprometido, o que explica a gravidade e a rápida evolução do quadro”, destaca a profissional.
O risco que está mais perto do que parece
Ao longo das últimas décadas, campanhas de vacinação em massa contribuíram significativamente para a redução de casos em áreas urbanas, especialmente na transmissão entre cães. No entanto, esse avanço veio acompanhado de uma mudança no perfil epidemiológico da doença.
Atualmente, os principais reservatórios do vírus no Brasil são animais silvestres, com destaque para os morcegos. E aqui está o ponto que muitos tutores desconhecem: um morcego pode entrar em ambientes urbanos, inclusive dentro de residências, sem ser notado. Nesses casos, o contato com cães e gatos pode ocorrer de forma silenciosa, dificultando a identificação do risco.
“O desafio atual é justamente esse: o risco continua existindo, mas não é mais tão evidente. Isso pode levar à falsa ideia de que a doença deixou de ser relevante, o que não corresponde à realidade”, explica Bianca.
Por que vacinar mesmo quem vive dentro de casa
Diante desse cenário, a vacinação continua sendo a principal ferramenta de prevenção. Ao estimular o sistema imunológico a produzir anticorpos contra o vírus, a vacina impede que a infecção se estabeleça mesmo em caso de exposição. Além da proteção individual, a vacinação tem impacto coletivo ao reduzir a circulação do vírus na população animal – um conceito essencial no controle de zoonoses.
Mesmo assim, a menor percepção de risco tem levado alguns tutores a negligenciar a vacinação, especialmente em animais que vivem exclusivamente dentro de casa. Essa é uma interpretação equivocada do risco atual.
“O estilo de vida do animal não elimina a possibilidade de exposição. Hoje, o risco está menos associado ao acesso à rua e mais à presença de reservatórios silvestres no ambiente”, reforça a médica-veterinária.
Outro ponto crítico é a continuidade do protocolo vacinal. A imunidade não é permanente e depende de reforços periódicos, que devem ser realizados conforme orientação do médico-veterinário ao longo de toda a vida do animal.
A atenção não pode diminuir
A raiva não desapareceu – ela apenas deixou de ser percebida com a mesma intensidade. E, nesse cenário, o maior risco não está no aumento dos casos, mas na redução da atenção.
Manter a vacinação em dia é uma medida simples, mas que continua sendo decisiva. Em uma doença sem tratamento e com alta letalidade, prevenir não é apenas uma recomendação: é a única forma de proteção efetiva para os animais e para as pessoas que convivem com eles.
Sobre a Ceva Saúde Animal
A Ceva Saúde Animal (Ceva) é a 5ª maior empresa global de saúde animal, liderada por veterinários experientes, cuja missão é fornecer soluções de saúde inovadoras para todos os animais e garantir o mais alto nível de cuidado e bem-estar. Seu portfólio inclui medicina preventiva, como vacinas, produtos farmacêuticos e soluções de bem-estar para animais de produção e de companhia, além de equipamentos e serviços que contribuem para oferecer a melhor experiência aos clientes.
Com 7.000 funcionários em 47 países e distribuição de produtos em mais de 110 países, a Ceva trabalha diariamente para dar vida à sua visão como uma empresa One Health: “Juntos, além da saúde animal.”
