Por Cris Oliveira
A política nunca deixa espaço vazio. Quando um nome sai do tabuleiro, outro precisa ocupar a peça. E foi exatamente isso que aconteceu no MDB do Distrito Federal.
A decisão de Ibaneis Rocha de não disputar uma vaga ao Senado embaralhou completamente os planos do partido. O projeto que parecia consolidado precisou ser refeito às pressas e, como acontece na política, as contas começaram a ser refeitas.
Rafael Prudente desponta como o favorito para ocupar a vaga ao Senado. Mas o MDB também faz as contas para não perder força na disputa pela Câmara dos Deputados. A pesquisa Exata OP mostra que o partido tem outras cartas na manga, como Zé Humberto e Hélvia Paranaguá, dois ex-secretários do governo Ibaneis que aparecem bem posicionados e podem reforçar a nominata emedebista nas eleições de 2026.
E é justamente aí que entra Ibaneis Rocha. O motivo que levou o ex-governador a desistir do Senado continua cercado de dúvidas. Oficialmente, não há uma explicação definitiva. Nos bastidores, porém, cresce a leitura de que o verdadeiro objetivo pode ser outro: construir uma bancada federal forte.
Se essa for realmente a estratégia, Ibaneis pode surgir como candidato a deputado federal. E não seria uma candidatura qualquer.
O ex-governador aparece entre os nomes mais lembrados em pesquisas quando o assunto é o segundo voto para o Senado, demonstrando que mantém um importante capital político. Esse mesmo potencial poderia transformá-lo em um dos maiores puxadores de votos do MDB para a Câmara dos Deputados.
O desenho seria simples e, do ponto de vista eleitoral, faria sentido: Rafael Prudente disputaria o Senado enquanto Ibaneis lideraria a nominata para deputado federal. Com isso, o MDB tentaria jogar em duas frentes ao mesmo tempo, buscando uma vaga na majoritária sem abrir mão de ampliar sua representação em Brasília.
Mas existe um fator que nenhum partido consegue ignorar. No Distrito Federal, a eleição continua sendo decidida muito mais pelo campo ideológico do que por qualquer outro tema. A polarização segue dominando o debate público e orientando o comportamento do eleitor.
Na prática, a disputa continua resumida entre direita e esquerda. Questões como denúncias de corrupção, gestão pública ou discussões sobre destinação de recursos acabam, muitas vezes, ficando em segundo plano diante da identificação ideológica do eleitor. O voto, em grande medida, continua sendo influenciado pela posição que cada candidato ocupa nesse cenário polarizado.
Quem insiste em apostar em um discurso de centro enfrenta dificuldades para romper essa lógica. A dinâmica eleitoral do Distrito Federal tem mostrado que os espaços intermediários perderam força e que a disputa segue concentrada nos dois polos.
Enquanto isso, o MDB tenta encontrar o melhor encaixe para suas principais lideranças.
Do ponto de vista político, permanecer na disputa pode representar uma estratégia menos arriscada do que ficar completamente fora do processo eleitoral, independentemente do cargo escolhido.
No MDB, há quem defenda que lideranças com o capital político de Ibaneis Rocha têm um papel importante na construção do projeto partidário. Sua presença em uma chapa, seja majoritária ou proporcional, poderia contribuir para fortalecer a legenda e impulsionar outros candidatos.
A política é, antes de tudo, um exercício de construção coletiva. Em momentos como este, o fortalecimento do partido e de suas nominatas costuma falar mais alto do que projetos individuais. Afinal, as grandes lideranças também são medidas pela capacidade de formar quadros, ampliar bancadas e preparar o caminho para as próximas gerações políticas.
As conversas seguem intensas, as peças continuam se movimentando e muitas hipóteses ainda estão sobre a mesa. Mas uma coisa é certa: nenhuma decisão será definitiva antes das convenções partidárias. É nesse momento que o partido baterá o martelo sobre quem disputará o Senado, quem puxará a nominata para deputado federal e qual estratégia adotará para enfrentar uma eleição que promete ser uma das mais polarizadas da história recente do Distrito Federal.
