O Palácio do Planalto, sede do Poder Executivo Federal e um dos mais emblemáticos símbolos da arquitetura e da democracia brasileira, terá sua fachada iluminada na cor roxa no entardecer desta sexta-feira, 16 de janeiro, tornando-se o mais novo símbolo de apoio à campanha nacional “Todos contra a Hanseníase” – realizada há dez anos pela Sociedade Brasileira de Hansenologia (SBH) – e somando voz no debate sobre um tema cercado de estigma.
“A iluminação do Palácio do Planalto é um marco na história da nossa campanha e um gesto de empatia do Estado brasileiro com os pacientes, familiares e profissionais que atuam no enfrentamento da hanseníase, além de um alerta à sociedade brasileira”, afirma Marco Andrey Cipriani Frade, presidente da SBH. “A luz roxa representa o compromisso com a informação, a inclusão e o combate ao preconceito”, ressalta. A iluminação roxa ficará até o dia 31 de janeiro.
A ação fortalece a agenda do Janeiro Roxo, mês oficial de conscientização sobre a hanseníase, oficializado pelo Ministério da Saúde há exatos dez anos. A campanha “Todos contra a Hanseníase” ocorre durante todo o ano, tendo no mês de janeiro a etapa mais intensa da mobilização nacional, que busca incrementar a difusão de informação, combater fake news, estimular o diagnóstico precoce e enfrentar o preconceito historicamente associado à doença.
Hanseníase
A hanseníase é uma doença infecciosa e primariamente neural, causada pelo bacilo de Hansen, que agride os nervos e pode provocar dor, formigamento e perda de sensibilidade na pele. Quando diagnosticada precocemente, tem cura, e o tratamento — gratuito pelo SUS — interrompe a transmissão.
Mas o estigma é doloroso para crianças que são afastadas da escola, mesmo sem oferecer risco a seus comunicantes, pessoas afastadas do trabalho e mesmo do convívio social e familiar. Por isso, a SBH entregou às Nações Unidas um relatório, com cerca de 40 páginas, descrevendo vários tipos de preconceito praticados no Brasil contra pessoas afetadas pela doença.
Cenário da hanseníase no Brasil
O Brasil ocupa o segundo lugar no mundo em número absoluto de casos, atrás apenas da Índia. Porém, está em primeiro lugar no ranking mundial em taxa de detecção, que é o percentual de novos diagnósticos a cada 100 mil habitantes, condição imprescindível para tratar, curar pacientes e quebrar o ciclo de transmissão do bacilo para, só então, eliminar a hanseníase como problema de saúde púbica.
Apesar dos avanços no sistema de notificação, a SBH alerta para a existência de uma endemia oculta, com milhares de pessoas ainda sem diagnóstico, muitas vezes em razão do desconhecimento da população e da persistência do estigma.
Apesar do cenário, o Brasil se destaca na comunidade internacional em pesquisa sobre novos esquemas de tratamento, vacina, drogas, estratégias e tecnologias de rastreio de casos e descobertas que abrem portas para novas pesquisas.
Palácio do Planalto
Projetado por Oscar Niemeyer e inaugurado em 1960, o Palácio do Planalto integra o conjunto monumental da Praça dos Três Poderes. Sua iluminação especial também insere Brasília no movimento global do NTD World Day (Dia Mundial das Doenças Tropicais Negligenciadas), que mobiliza cidades em diferentes países a iluminar monumentos como forma de dar visibilidade às Doenças Tropicais Negligenciadas (DTN).
