A chegada do Dia da Mentira, em 1º de abril, coincide com um período sensível para a democracia brasileira: a aproximação das eleições. Com isso, voltam a circular nas redes sociais uma série de informações falsas sobre o processo eleitoral, especialmente relacionadas à segurança das urnas eletrônicas e à validade dos votos.
A desinformação, além de confundir eleitores, pode comprometer a confiança no sistema eleitoral. Por isso, especialistas e autoridades reforçam a importância de esclarecer os principais mitos que insistem em se repetir a cada novo ciclo eleitoral.
Entre os boatos mais comuns está a ideia de que a foto do candidato pode não aparecer corretamente na urna. Na prática, essa possibilidade é inexistente, já que os dados dos candidatos são inseridos de forma integrada no sistema. Caso o eleitor digite um número incorreto, a recomendação é simples: utilizar a tecla “corrige” e refazer a operação com atenção.
Outro equívoco recorrente é a crença de que votos em branco ou nulos são direcionados ao candidato que está na frente. Isso não ocorre. Esses votos são considerados inválidos e não entram na contagem final, tampouco influenciam no resultado das eleições.
Também é falsa a ideia de que uma eleição pode ser anulada caso a maioria dos eleitores vote nulo. A legislação eleitoral estabelece que apenas votos anulados por decisão judicial — em casos de fraude comprovada — podem impactar a validade do pleito, e não os votos nulos registrados voluntariamente pelos eleitores.
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A segurança das urnas eletrônicas segue sendo alvo frequente de desinformação. No entanto, o sistema eleitoral brasileiro conta com diversos mecanismos de auditoria, incluindo registros digitais e boletins impressos ao final da votação, que permitem a verificação dos resultados por partidos, entidades e cidadãos.
Outro ponto importante é a possibilidade de recontagem dos votos. Diferente do que circula em conteúdos falsos, essa recontagem é viável por meio dos registros digitais armazenados e dos boletins emitidos por cada urna.
Já a defesa do voto impresso como alternativa mais segura também não se sustenta. Experiências anteriores mostraram que a impressão de votos pode aumentar falhas operacionais e abrir margem para fraudes físicas, além de comprometer a agilidade do processo eleitoral.
No cenário internacional, a votação eletrônica também é realidade em diversos países, ainda que em formatos diferentes, o que reforça a confiabilidade do modelo adotado no Brasil.
Outro mito bastante difundido é o de que as urnas poderiam ser hackeadas. No entanto, os equipamentos não possuem conexão com a internet e contam com múltiplas camadas de segurança, o que impede acessos externos e alterações indevidas.
Além das fake news, cresce também a aplicação de golpes utilizando o nome da Justiça Eleitoral. Mensagens falsas que indicam pendências no título de eleitor ou cobranças indevidas são estratégias comuns para roubo de dados. A orientação é que qualquer consulta ou pagamento seja feito exclusivamente pelos canais oficiais.
Diante desse cenário, a Justiça Eleitoral intensifica ações de enfrentamento à desinformação, com parcerias institucionais, monitoramento de conteúdos e canais para denúncia de informações falsas.
Para as eleições de 2026, novas regras também ampliam o controle sobre o uso de inteligência artificial em campanhas, com restrições à divulgação de conteúdos manipulados, especialmente nos dias próximos ao pleito, e punições para quem disseminar desinformação.
O eleitor, por sua vez, tem papel fundamental nesse processo: buscar informação em fontes confiáveis, desconfiar de conteúdos alarmistas e evitar o compartilhamento de notícias sem verificação.
