É em um armazém no Gama onde a mágica do Reciclotech acontece. Resíduos eletrônicos entregues por órgãos públicos ou coletados nos pontos de entrega voluntária (PEV) passam por triagem e seguem um fluxo até serem recondicionados, encaminhados para reciclagem ou descartados corretamente. O projeto inovador do Governo do Distrito Federal é mais um passo para tornar a capital inteligente.
Idealizado pela Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti), o projeto é gerido pela Programando o Futuro, Organização da Sociedade Civil (OSC) com mais de 20 anos de experiência no ramo. A entidade foi selecionada e habilitada a partir de processo de chamamento público junto à Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal (FAP-DF). A Agência Brasília conta, agora, como o programa funciona antes mesmo do lançamento oficial (veja arte).

Todos os dias, Resíduos de Equipamentos Elétricos e Eletrônicos (REEE) encaminhados por órgãos públicos ou dispensados nos pontos de entrega voluntária chegam ao armazém. São itens como celulares, tablets, TVs, pilhas, geladeiras e, principalmente, computadores. Isso porque a instituição é um Centro de Recondicionamento de Computadores (CRC), iniciativa do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC).
Gerente de operações da entidade, Kelly Cristina Reis explica que todos os itens são catalogados por tipo em um sistema que permite acompanhar todo o fluxo, até a destinação final. Computadores com potencial de reutilização são separados, reparados, limpos, testados e têm peças substituídas, quando necessário. Em tempos normais, 60% dos cerca de cinco mil computadores recebidos podem ser reutilizados.
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Antes da parceria, os equipamentos recondicionados eram leiloados. Agora, novamente prontos para uso, eles são doados aos órgãos públicos que direcionam a quem mais precisam. Assim, por exemplo, é promovida a inclusão digital de estudantes que precisam de acesso à tecnologia para acompanhar o ano letivo que segue pela internet por causa da pandemia de coronavírus.
Outros materiais
Os outros materiais são separados por tipo, peça por peça, e vendidos para indústrias cadastradas que os reciclam. A exceção é o plástico, que pode passar por transformação ali mesmo. Quem cuida do processo é Leonardo Loureiro, supervisor desse tipo de operação pela instituição. Ele conta que os plásticos que compõem os eletrônicos têm duas destinações.

Aqueles que podem ser completamente limpos são triturados. Parte é vendida para indústrias, parte vira filamento para impressora 3D. São, em média, 10 quilos por dia. Os materiais abastecem os 12 laboratórios de robótica Include do DF com a matéria prima para impressão. Os materiais contaminados, por sua vez, são derretidos a 180 ºC, viram massa e podem se transformar em qualquer coisa. Ali, por exemplo, eles são transformados em pisos ecológicos e são feitos 50 blocos de pisos por dia.
Também é na Programando o Futuro que são feitos os novos PEV a serem instalados pelo DF. Nesta semana, 30 já estavam prontos, um foi instalado na sede da Administração Regional do Guará e outro está programado pra chegar ao Parque Ecológico de Águas Claras. Os locais de destinação são indicados pelos órgãos do GDF, focando em pontos de maior circulação. A previsão é que o programa dobre a quantidade de pontos.
Capacitação
O edital que tirou o projeto do papel prevê capacitação de jovens da capital pela instituição. Por causa da pandemia, o início dos cursos precisou ser adiado e a previsão é dar andamento no início de 2021, para garantir a segurança de todos. Segundo a Secti, a forma de ingresso será divulgada mais para frente, mas a capacitação será destinada a alunos de escolas públicas da comunidade, integrantes do Cadastro Único (CadÚnico).
Estudantes de 16 a 24 anos terão oportunidade de passar por estágio na entidade, onde aprenderão na prática as funções de reciclagem e recondicionamento. A bolsa-auxílio é de R$ 400 pagos com recursos do MCTIC como parte do CRC.
Além de salas de aula, a sede da Programando o Futuro no Gama ainda abriga um dos 12 laboratórios de robótica Include do DF, que vai funcionar com equipamentos recondicionados ali mesmo.

“É a tecnologia chegando onde dificilmente chegaria. Levando oportunidade para pessoas que precisam, capacitando para gerar emprego e renda. A ideia é expandir e levar núcleos pelas cidades do DF, facilitando triagem, coleta e formação”, valoriza Anderson Freire, idealizador do projeto e coordenador pela Secti.
Conscientização
“Sabemos que muitos equipamentos eletroeletrônicos têm componentes como chumbo e mercúrio, prejudiciais ao meio ambiente e à vida humana. É de vital importância que esses resíduos tenham descarte adequado”, avisa o coordenador de Implementação da Política de Resíduos Sólidos da Secretaria de Meio Ambiente (Sema), Glauco Amorim. Para ele, a conscientização da população e a ampliação de pontos de entrega voluntária devem fazer parte de toda a rotina do programa.
No plano de trabalho do Reciclotech é previsto o trabalho educativo em escolas da capital, mas a pandemia mudou os planos. ”Pegamos parte do que seria feito em caravanas escolares e transformamos em drive-thru de recolhimento”, conta Anderson Freire, da Secti. No fim de semana, quando teve início a ação itinerante, mais de uma tonelada de equipamentos foi colhida e já entrou no fluxo da entidade.
Coordenador do projeto na Programando o Futuro, Alexandre Mesquita valoriza a parceria firmada. “Para nós, como instituição, é motivo de satisfação e crescimento participar de um programa inédito graças ao pioneirismo do GDF”, diz. “Estamos prestando um serviço necessário e essencial para o Estado. Além de trabalhar a questão ambiental, fornecemos equipamentos para a população vulnerável do DF e tem um processo de formação”, elenca.
Fonte: Agência Brasília
