Celina tem a caneta: é hora de governar e rever o peso dos aliados

A Leoa cancelou a viagem, e o silêncio tomou conta dos bastidores do Buriti: agora, a expectativa é pelo rugido do decretão que está por vir.

Por Cris Oliveira

A eleição terminou. Agora, Celina Leão tem pela frente uma decisão que vai definir a identidade de seu governo: exercer o comando de toda a máquina pública ou permitir que parcelas da administração continuem submetidas aos interesses de grupos e padrinhos políticos.

A caneta está com a governadora. E a responsabilidade pelos resultados também.

Pelas regras atuais, Celina não poderá disputar outra reeleição consecutiva em 2030. O próximo mandato, portanto, exige ação desde o primeiro dia. Será preciso antecipar problemas, enfrentar gargalos e cobrar uma equipe capaz de entregar serviços com eficiência. Seu legado dependerá do que conseguir fazer pela população.

Celina conhece o funcionamento do poder. Sua passagem pelo Legislativo e pelo Executivo lhe dá experiência para identificar o que funciona, onde estão os erros e quais decisões precisam ser tomadas para a máquina andar. Esse conhecimento aumenta a cobrança sobre as escolhas que fará.

Sua marca precisa chegar a todas as áreas do GDF. Secretarias, administrações regionais, autarquias e empresas públicas devem responder às prioridades do governo e às necessidades do cidadão. Nenhuma estrutura pode funcionar como território independente, protegido por indicação política e dispensado de apresentar resultados.

É tempo de governar nas bases. Estar nas cidades, ouvir as comunidades e acompanhar o atendimento de perto. A governadora precisa ter uma relação direta com a população, sem deixar que as demandas sejam filtradas exclusivamente pelos interesses de intermediários.

Nessa lógica, entregar órgãos de “porteira fechada” a deputados é um risco político e administrativo. Aliança não pode significar transferência do comando. Quem indica um gestor não se torna dono da estrutura, dos servidores ou dos serviços prestados.

Quando o atendimento público depende de um padrinho, o direito do cidadão corre o risco de virar favor político. E quando um parlamentar concentra a intermediação e reivindica sozinho o mérito das entregas, o governo perde presença justamente onde deveria estar mais próximo da população.

A montagem da equipe também exige uma avaliação franca sobre os aliados. Quem mobilizou, assumiu responsabilidades e trabalhou pela vitória tem uma participação a apresentar. Quem ficou apenas na fotografia não pode esperar que o discurso tenha o mesmo peso do trabalho.

Houve quem fez diferença. E a cobrança política precisa alcançar quem apenas fez de conta.

Segundo relatos recebidos pelo Blog da Cris, alguns ocupantes de cargos esperaram o segundo turno para demonstrar apoio. Também há relatos de resistência à candidatura de Celina entre pessoas que estariam no governo há quase oito anos. São informações que exigem apuração individual e manifestação dos envolvidos, mas colocam em discussão a coerência entre ocupar espaço na administração e assumir compromisso com suas diretrizes.

Celina terminou o primeiro turno com 49,93% dos votos válidos. Ficou perto de encerrar a disputa naquela etapa. Na avaliação deste espaço, faltou uma mobilização mais firme de setores da própria base. Essa leitura não permite responsabilizar isoladamente os comissionados pelo segundo turno, mas justifica uma análise política sobre o empenho dos aliados.

Passada a eleição, porém, o critério para governar precisa ser mais amplo que a fidelidade de campanha. Competência, responsabilidade e capacidade de execução devem sustentar as nomeações. Apoio político não pode servir de salvo-conduto para gestor que não trabalha.

Oito anos de permanência não dão direito adquirido a cargo. Indicação parlamentar não garante estabilidade política. E proximidade com o poder não substitui resultado.

Celina terá de equilibrar sua base sem abrir mão da autoridade. Ouvir aliados, decidir e exigir que a equipe cumpra o que foi estabelecido. Quem assumir uma função precisa saber a que veio, quais metas deve alcançar e por quais resultados será cobrado.

A população não pode esperar enquanto grupos negociam espaços. Há serviços a melhorar, demandas a atender e decisões a tomar. É nesse terreno que a governadora terá de mostrar sua pegada: presença nas cidades, comando sobre a equipe e eficiência na execução.

A caneta de Celina terá seu maior peso quando cada nomeação vier acompanhada de uma cobrança concreta por trabalho.

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