O Distrito Federal estuda uma das maiores expansões de sua história no transporte público sobre trilhos. Uma apresentação técnica elaborada pelo Consórcio VOLAR-AeT-URBTEC prevê a implantação da Linha 2 do Metrô-DF e de duas linhas de Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), alcançando regiões como Santa Maria, Gama, Recanto das Emas, Taguatinga, Ceilândia, Plano Piloto, Noroeste e o Aeroporto Internacional de Brasília.
Os três projetos somam 119,7 quilômetros de novas linhas e 114 estações e paradas. Atualmente, o Metrô-DF opera 42,38 quilômetros e 27 estações. Caso todos os trechos previstos sejam implantados, a extensão total da rede sobre trilhos do Distrito Federal poderá chegar a aproximadamente 162 quilômetros, quase quatro vezes o tamanho atual.
A maior intervenção prevista é a Linha 2 do Metrô-DF, com 79,8 quilômetros e 67 estações e paradas. O projeto é formado por um tronco de 40,1 quilômetros entre Santa Maria e o Congresso Nacional, um ramal de 12,3 quilômetros entre o Gama e o Catetinho e outro de 27,4 quilômetros ligando o Recanto das Emas ao Terminal Asa Sul.
A Linha 2 deverá atender oito regiões administrativas: Santa Maria, Gama, Riacho Fundo II, Recanto das Emas, Núcleo Bandeirante, Candangolândia, Cruzeiro e Plano Piloto. O estudo estima uma demanda de 239,9 mil passageiros por dia útil no ano de abertura da operação.
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No tronco principal, os trens deverão circular a cada três minutos nos horários de pico. Nos ramais, o intervalo previsto é de seis minutos. A viagem pelo trecho principal entre Santa Maria e a região central de Brasília teria duração estimada de 57 minutos.
O projeto também considera a demanda de passageiros que se deslocam diariamente de cidades do Entorno, especialmente Valparaíso e Luziânia, em Goiás. A proposta é criar uma rede integrada que reduza a dependência dos ônibus e facilite o acesso ao centro da capital.
Outra frente é o VLT da Linha 1, projetado para ligar o Aeroporto Internacional de Brasília ao Noroeste, passando pela W3 e por áreas centrais do Plano Piloto. O sistema terá 22,4 quilômetros e 25 estações, com capacidade estimada para transportar 174,8 mil passageiros por dia útil.
A implantação está dividida em três fases. A primeira compreende nove quilômetros entre a Hípica e o Brasília Shopping. A segunda prevê sete quilômetros entre o Aeroporto e a Hípica. A terceira acrescenta seis quilômetros entre o Brasília Shopping e o Noroeste.
O tempo estimado para percorrer todo o trajeto é de aproximadamente 49 minutos. Nos horários de maior movimento, o intervalo entre os veículos deverá ser de três minutos no eixo da W3 e de nove minutos no ramal do Aeroporto.
Já a Linha 3 do VLT atenderá Taguatinga, Ceilândia, Sol Nascente e Pôr do Sol, Recanto das Emas, Águas Claras e Vicente Pires. O traçado ainda está em avaliação e poderá seguir pelo Pistão ou pela Avenida Comercial.
O projeto principal tem 17,48 quilômetros e 22 estações e paradas. A expectativa é transportar aproximadamente 100 mil passageiros por dia útil, com intervalo de seis minutos entre os veículos e tempo de viagem de cerca de 39 minutos entre as extremidades da linha.
A implantação também foi dividida em três etapas: Porto do Sol–Avenida Comercial, Avenida Comercial Norte–Praça do Relógio e Praça do Relógio–EPNB/Católica.
O investimento consolidado nos três projetos é estimado em R$ 29,2 bilhões, considerando valores de 2026 e um período de execução de dez anos. Desse total, aproximadamente R$ 21,6 bilhões, ou 73,7%, seriam financiados pelo poder público. A iniciativa privada responderia por R$ 7,7 bilhões, equivalentes a 26,3%, principalmente por meio da aquisição dos trens.
A Linha 2 do Metrô concentra a maior parcela dos recursos, com investimento estimado em R$ 20,3 bilhões. O VLT da Linha 1 exigiria R$ 4,8 bilhões, enquanto a Linha 3 teria custo previsto de R$ 4,1 bilhões.
Os números fazem parte de estudos técnicos vinculados ao Contrato nº 024/2025, do Metrô-DF, e ao Contrato nº 011/2026, da Secretaria de Obras do Distrito Federal. Os projetos ainda dependem da conclusão dos estudos, da definição dos traçados, da obtenção dos recursos e do cumprimento das etapas de licenciamento e contratação.
Apesar da dimensão dos planos, a apresentação não estabelece um calendário definitivo para o início e a entrega de cada obra. Portanto, os valores, trajetos, prazos e estimativas de passageiros poderão ser modificados durante o desenvolvimento dos projetos.
