Mulheres avançam nas eleições do DF, mas homens ainda dominam 65% das candidaturas

TRE-DF registra 232 mulheres entre 658 candidaturas nas eleições de 2026; participação feminina supera o mínimo exigido pela legislação, mas distância para a igualdade na política ainda é expressiva

A presença feminina cresceu na disputa eleitoral do Distrito Federal, mas os homens continuam ocupando quase dois terços das candidaturas nas eleições de 2026.

Dados divulgados pelo Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal (TRE-DF) mostram que 658 candidaturas foram registradas no DF. Desse total, 232 são de mulheres, o equivalente a 35,26%, enquanto 426 são de homens, representando 64,74%.

O cenário mostra que mais de uma em cada três pessoas que disputam as eleições no Distrito Federal é mulher. Ainda assim, existe uma diferença de 194 candidaturas entre os dois gêneros.

O maior volume de candidaturas está concentrado na disputa pela Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF). São 429 candidatos e candidatas a deputado distrital, correspondentes a 65,20% do total. Para a Câmara dos Deputados, foram contabilizadas 167 candidaturas, ou 25,38%.

O avanço da participação feminina não ocorre por um único motivo. Mudanças na legislação eleitoral, maior fiscalização dos partidos e a garantia de recursos para campanhas de mulheres contribuíram para ampliar sua presença nas urnas.

Nas eleições proporcionais, partidos e federações precisam preencher suas listas respeitando a proporção mínima de 30% e máxima de 70% para candidaturas de cada sexo.

Além da cota, a legislação passou a garantir recursos específicos para as mulheres. As regras eleitorais determinam a aplicação de pelo menos 30% dos recursos públicos destinados às campanhas em candidaturas femininas, observadas as normas de distribuição estabelecidas para o pleito.

Isso representa uma mudança importante em relação a eleições anteriores, quando muitas candidatas entravam na disputa com estruturas financeiras e partidárias muito inferiores às disponibilizadas aos homens.

Outro fator é o endurecimento da Justiça Eleitoral contra as chamadas candidaturas femininas fictícias, registradas apenas para cumprir formalmente a cota prevista em lei.

Com maior fiscalização e possibilidade de punição aos partidos em casos de fraude à cota de gênero, as legendas passaram a enfrentar uma pressão maior para apresentar candidaturas femininas efetivas.

Os números nacionais ajudam a dimensionar essa transformação.

Nas eleições gerais de 2022, as mulheres representaram aproximadamente 34% das candidaturas no Brasil. O percentual registrado agora no Distrito Federal, de 35,26%, coloca a participação feminina pouco acima desse patamar.

A evolução, porém, ainda é lenta diante da composição do próprio eleitorado.

As mulheres representam mais da metade dos eleitores brasileiros, mas continuam longe de ocupar metade das candidaturas — e a diferença é ainda maior quando se observa quem efetivamente consegue se eleger.

Esse é um dos principais gargalos da representação política feminina: aumentar o número de candidatas não significa automaticamente aumentar o número de mulheres eleitas.

Recursos financeiros, estrutura partidária, tempo e exposição de campanha, redes políticas já consolidadas e acesso aos espaços de decisão continuam pesando na capacidade de uma candidatura se tornar competitiva.

Há ainda outro obstáculo que ganhou dimensão com o crescimento das redes sociais: a violência política de gênero.

Ataques à aparência, à vida pessoal e familiar, ameaças, campanhas de desinformação e tentativas de desqualificação baseadas no fato de a candidata ser mulher passaram a fazer parte do ambiente enfrentado por muitas mulheres que entram na política.

Por isso, o crescimento das candidaturas femininas precisa ser analisado não apenas pelo número de nomes registrados, mas também pelas condições oferecidas para que essas mulheres possam disputar efetivamente o voto.

Os dados das eleições de 2026 deixam essa diferença evidente.

De cada 100 candidaturas registradas no Distrito Federal, aproximadamente 65 são de homens e 35 de mulheres.

Portanto, apesar dos avanços legais e do aumento da participação feminina, a política brasiliense ainda está distante da paridade.

As 232 mulheres que entram na disputa eleitoral de 2026 representam um avanço importante, mas a resposta definitiva sobre a ampliação da representação feminina virá das urnas.

Mais do que saber quantas mulheres conseguiram registrar suas candidaturas, será preciso observar quantas terão estrutura competitiva, receberão votos suficientes e chegarão efetivamente aos espaços de poder.

Com informações Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal (TRE-DF) e Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

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