Uma pesquisa desenvolvida pela Unicentro em parceria com o Cilla Tech Park, bairro planejado da Cidade dos Lagos, está utilizando impressão 3D para desenvolver órteses e próteses veterinárias acessíveis e sob medida para animais da comunidade. Entre os pacientes atendidos está a gata Matilda que, com apenas dois meses de vida, chegou à Clínica Escola Veterinária da Universidade Estadual do Centro-Oeste – Unicentro com grave traumatismo em uma das patas traseiras, lesão que exigiu a amputação de seus dedos e comprometeu severamente sua locomoção. Agora, ela faz parte do grupo de animais que receberá os dispositivos desenvolvidos pelo projeto coordenado pela professora Liane Ziliotto.
O projeto prevê a produção de dez dispositivos destinados a nove animais da região que, assim como Matilda, enfrentam limitações ortopédicas. O Brasil abriga a terceira maior população de animais de estimação do mundo, somando cerca de 160 milhões de pets, segundo a ABINPET. No entanto, soluções como órteses e próteses ainda são pouco acessíveis no país, realidade que os pesquisadores de Guarapuava decidiram transformar.
O aluno de iniciação científica, e graduando do curso de Medicina Veterinária Arthur Buaski explica que a ideia surgiu após conhecer um professor da UFPR que utilizava a impressão 3D para planejamento cirúrgico e pretendia aplicar a tecnologia na produção de órteses e próteses veterinárias. “Ele me deu a ideia inicial e, pelo fato de eu já ter a Matilda como uma possível participante, eu me animei. A partir daí fui atrás, planejei o projeto com a minha orientadora e, posteriormente, com o Cilla”, relembra o estudante.
De paciente a membro da família
A história de Arthur e Matilda ganhou um novo capítulo durante o tratamento. O que deveria ser um acolhimento passageiro de cinco meses deu lugar a um laço inseparável, e o estudante acabou adotando-a em definitivo. “Ela é minha primeira gata. Me acostumei com ela em casa e, quando a tutora disse que não queria mais ficar com a Matilda, decidi adotá-la”, conta.
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Hoje, Matilda é uma das nove pacientes que irão receber as próteses. “Essa proximidade com universidades, laboratórios e hospitais que o bairro planejado da Cidade dos Lagos nos proporciona, facilita essa integração e desenvolvimento de projetos 3D em diversas áreas. Para o desenvolvimento das próteses dos animais foram necessários cerca de 3 meses para o desenvolvimento delas e uns 30 dias para os ajustes finais. É muito legal vermos o projeto final e como ele é aplicado na prática, melhorando a qualidade de vida dos bichinhos”, ressalta Felipe Gorgo Kiçula, coordenador do Espaço Maker, do Cilla Tech Park.
A união entre a ciência e o ecossistema de inovação
A transformação dessa pesquisa científica em uma solução real e prática só foi possível graças à parceria com o Cilla Tech Park, hub de inovação instalado no bairro planejado Cidade dos Lagos. O espaço atua aproximando a universidade e o mercado tecnológico para acelerar projetos de alto impacto social.
De acordo com a professora Liane Ziliotto, o suporte técnico e a estrutura do hub foram fundamentais para que a iniciativa saísse do papel e ganhasse as ruas. “Quando conhecemos o Cilla, encontramos um parceiro que tornou possível transformar a pesquisa em uma possibilidade terapêutica real aos nossos pacientes” “, avalia.
Muito além do desenvolvimento de próteses, o caso de Matilda e dos outros pets demonstra o poder da união entre o conhecimento acadêmico e a tecnologia de ponta, provando que a inovação cumpre seu papel mais nobre quando se traduz em cuidado, alívio e novas chances de recomeço.
Sobre a Cidade dos Lagos
Localizada em Guarapuava (PR), a Cidade dos Lagos é um bairro planejado de 3 milhões de m² que integra saúde, educação, tecnologia, trabalho, meio ambiente, ações sociais e culturais, segurança e lazer. É referência nacional em Smart Cities e o primeiro projeto do país a receber o selo LEED Gold for Communities pelo US Green Building Council.
