DF tem 10 nomes registrados para o Buriti; campanha eleitoral começa neste domingo

Último dia para apresentação dos pedidos consolida o desenho da disputa pelo GDF; registros passam pelo crivo da Justiça Eleitoral e situação de Arruda será um dos capítulos jurídicos da eleição

Neste sábado (15), último dia para a apresentação dos pedidos, Celina Leão (PP) e Paula Belmonte (PSDB) foram as duas últimas a formalizar suas candidaturas, completando, até o momento, o grupo de nomes que pretende comandar o Distrito Federal pelos próximos quatro anos.

O prazo para os registros termina às 19h deste sábado. A fotografia da disputa, portanto, já está praticamente formada, embora um eventual novo pedido apresentado até o horário limite ainda possa alterar o número de concorrentes.

A partir de domingo, termina de vez o período de pré-campanha. Os candidatos poderão pedir votos e colocar nas ruas e nas redes sociais suas estratégias para conquistar o eleitor brasiliense.

Quem está na corrida pelo Buriti

Até este sábado, aparecem registrados na Justiça Eleitoral:

Celina Leão (PP) — 11;
José Roberto Arruda (PSD) — 55;
Ricardo Cappelli (PSB) — 40;
Leandro Grass (PT) — 13;
Paula Belmonte (PSDB) — 45;
Kiko Caputo (Novo) — 30;
Elisson Ferreira Freire (Agir) — 36;
Expedito Mendonça (PCO) — 29;
Professor Robson (PSTU) — 16;
Professora Samara Mineiro (UP) — 80.

A lista coloca frente a frente nomes conhecidos da política brasiliense e candidatos que tentarão conquistar espaço durante a campanha.

De um lado está Celina Leão, atual governadora e candidata à reeleição, sustentada pelo maior arco partidário da disputa. Do outro, adversários com trajetórias e bases políticas distintas, entre eles o ex-governador José Roberto Arruda, Leandro Grass, Ricardo Cappelli e Paula Belmonte.

Estar registrado não significa estar definitivamente na urna

Há um detalhe importante nessa lista: apresentar o pedido de registro não é a mesma coisa que ter a candidatura definitivamente deferida.

Depois que o nome entra no sistema, cabe à Justiça Eleitoral verificar se o candidato apresentou a documentação necessária e se atende às condições de elegibilidade previstas na legislação.

Também é nessa fase que podem ser analisadas eventuais causas de inelegibilidade e impugnações.

Nas consultas feitas neste sábado, vários pedidos ainda apareciam como “aguardando julgamento”. Professor Robson (PSTU), por exemplo, já constava com a candidatura deferida.

O quadro pode mudar nos próximos dias conforme o Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal avance nos processos.

Arruda terá um capítulo à parte

Entre os dez nomes, José Roberto Arruda provavelmente terá o registro mais acompanhado do ponto de vista jurídico.

O ex-governador está de volta à corrida pelo Buriti pelo PSD e sustenta que atualmente reúne condições para concorrer. A palavra sobre o registro, porém, será da Justiça Eleitoral.

A questão envolve o histórico de condenações de Arruda, os períodos de inelegibilidade e as mudanças promovidas na legislação da Ficha Limpa.

A legislação sobre inelegibilidades foi alterada em 2025, modificando regras relacionadas à contagem dos prazos. Parte dessas mudanças acabou sendo questionada no Supremo Tribunal Federal.

Por isso, a situação exige cautela.

O fato objetivo neste momento é que Arruda registrou a candidatura. Não é possível antecipar que ela será deferida ou indeferida antes da decisão da Justiça Eleitoral.

A discussão jurídica, no entanto, tem potencial para acompanhar o início da campanha e acrescentar um ingrediente importante à disputa pelo Buriti.

Justiça tem calendário apertado

A análise dos registros não pode se estender indefinidamente.

Pelo calendário eleitoral, 14 de setembro é a data até a qual os pedidos de registro — inclusive aqueles que forem impugnados e os respectivos recursos — devem estar julgados pelas instâncias ordinárias, com as decisões publicadas.

O prazo ocorre 20 dias antes do primeiro turno.

Isso não significa que toda discussão judicial necessariamente termine nessa data, porque determinados casos podem chegar às instâncias superiores.

Até lá, o eleitor deverá acompanhar não apenas o movimento dos candidatos nas ruas, mas também as decisões do TRE-DF sobre quem reúne as condições legais para permanecer na disputa.

Celina larga com a maior aliança

No tabuleiro político, Celina Leão entra na campanha com uma vantagem partidária evidente: o tamanho da aliança construída em torno de sua candidatura à reeleição.

A coligação Propósito e Ação reúne Republicanos, MDB, Podemos, PL, DC, Mobiliza, Democrata, Federação Renovação Solidária e Federação União Progressista, formada por União Brasil e PP.

A governadora deverá usar a campanha para apresentar os resultados da atual administração e defender a continuidade das políticas do GDF.

Arruda concorre pelo PSD na coligação Resgatar Brasília, formada por PSD e Avante.

Leandro Grass disputa pelo PT dentro da coligação DF do Povo, formada pelo PDT, Federação Brasil da Esperança e Federação PSOL-Rede.

Paula Belmonte concorre pela Federação PSDB Cidadania, enquanto Ricardo Cappelli está na disputa pelo PSB.

Os demais candidatos completam um cenário eleitoral bastante pulverizado neste início de campanha.

A partir de domingo, começa a briga pelo voto

O sábado marca o encerramento de uma etapa essencialmente burocrática e partidária. Domingo (16) muda o jogo.

Com o início da propaganda eleitoral, os candidatos poderão oficialmente pedir votos e intensificar agendas, caminhadas, reuniões, produção de conteúdo digital e outras atividades previstas na legislação.

A disputa também começa submetida a limites financeiros. Segundo os dados apresentados no sistema eleitoral, o teto de gastos para uma candidatura ao Governo do Distrito Federal é de R$ 7.115.522,46 no primeiro turno. Em eventual segundo turno, o limite adicional é de R$ 3.557.761,23.

Com dez candidaturas já registradas, a eleição entra, portanto, em duas corridas simultâneas.

Nas ruas, começa a disputa pelo eleitor. Nos tribunais, continua a análise de quem está juridicamente habilitado a permanecer até o fim.

E, a partir deste domingo, a corrida pelo Palácio do Buriti estará oficialmente aberta.

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