O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) decidiu entrar de vez no tabuleiro eleitoral do Distrito Federal. Para tentar retirar Ricardo Cappelli (PSB) da corrida pelo Palácio do Buriti, escalou ninguém menos que o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB). A informação é da CNN Brasil.
Alckmin teria procurado Cappelli na quinta-feira (6), por orientação direta de Lula. A missão era clara: convencer o correligionário a abandonar a candidatura e abrir caminho para a concentração das forças governistas em torno de Leandro Grass, nome escolhido pelo PT para disputar o Governo do Distrito Federal.
A operação, porém, esbarrou na resistência de Cappelli. Nem o peso político do vice-presidente foi suficiente, até agora, para fazê-lo recuar. Antes de Alckmin entrar em campo, o presidente nacional do PT, Edinho Silva, já havia tentado negociar a retirada da candidatura — também sem sucesso.
O movimento revela que Cappelli deixou de ser apenas um candidato com baixo desempenho nas pesquisas e passou a ser tratado pelo Palácio do Planalto como um obstáculo à estratégia eleitoral de Lula no DF. Mesmo figurando na lanterna dos levantamentos, ele insiste em manter uma candidatura que divide a esquerda e reduz as chances de o campo governista chegar competitivo à disputa pelo Buriti.
O PSB oficializou Cappelli no último dia 3. Ex-secretário-executivo de Flávio Dino no Ministério da Justiça, ele ganhou projeção nacional ao assumir a intervenção federal na Segurança Pública do Distrito Federal após os atos de 8 de janeiro de 2023.
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Antes de desembarcar em Brasília, Cappelli ocupou a Secretaria de Comunicação no governo do Maranhão e integrou o Conselho de Administração do Porto do Itaqui. Sua passagem pelo estado foi cercada por embates políticos e críticas de veículos de comunicação, entre eles o portal Marrapá, que o acusou de perseguir profissionais da imprensa.
A fragilidade eleitoral do candidato também foi explorada pela governadora Celina Leão (PP) durante o debate promovido pela Band no domingo (9). No confronto, Celina relembrou as derrotas eleitorais acumuladas por Cappelli no Rio de Janeiro e resumiu a trajetória do adversário com uma provocação: “Seu nome deveria ser tentativa”.
Agora, Cappelli enfrenta uma disputa em duas frentes: precisa convencer o eleitorado de que sua candidatura é viável e, ao mesmo tempo, resistir à pressão do próprio campo político para deixar a corrida. Lula já enviou Alckmin para entregar o recado. Resta saber até quando o PSB sustentará uma candidatura que o Planalto passou a considerar inconveniente.
