Polícia Militar reúne representantes das forças de segurança para debater o tema
Representantes das forças de segurança pública, do sistema de justiça e da administração regional reuniram-se na última segunda-feira (15), no Recanto das Emas, para discutir estratégias integradas de enfrentamento à violência doméstica e familiar contra a mulher. Participaram equipes do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), da Polícia Civil (PCDF), da Administração Regional do Recanto das Emas, da Secretaria de Justiça e Cidadania (Sejus-DF) e da Subsecretaria de Enfrentamento às Drogas.
O encontro teve como base dois estudos técnicos desenvolvidos pelo Programa de Prevenção Orientada à Violência Doméstica (Provid), da Polícia Militar (PMDF) que revelam a forte correlação entre os crimes de gênero, o tráfico de drogas, o consumo abusivo de substâncias psicoativas e fatores de vulnerabilidade social presentes na região.
Os levantamentos apresentados pela PMDF fornecem um panorama detalhado da dinâmica da violência doméstica no Recanto das Emas e reforçam a necessidade de ações coordenadas entre diferentes órgãos públicos para interromper ciclos de agressão e reduzir fatores de risco associados à criminalidade.
Provid
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O primeiro estudo identificou uma significativa convergência espacial entre os registros de violência doméstica e os pontos com maior incidência de tráfico de entorpecentes. A análise demonstrou que grande parte das ocorrências enquadradas na Lei Maria da Penha está concentrada nas mesmas áreas em que há intensa atuação do tráfico, evidenciando a influência de contextos marcados pela criminalidade, pela vulnerabilidade social e pela circulação de drogas sobre a ocorrência de agressões contra mulheres.
Nível de reincidência entre agressores, muitos dos quais têm antecedentes criminais foi um dos dados que mais chamou a atenção no estudo
Já o segundo levantamento, baseado nos atendimentos realizados pelo Provid entre 2023 e 2025, apontou um crescimento expressivo da demanda por acolhimento e acompanhamento de vítimas.
O estudo revelou ainda que o consumo abusivo de álcool, cocaína, maconha e crack figura como o principal fator associado aos casos mais graves acompanhados pelo programa, incluindo lesões corporais, violência sexual, ameaças de morte e tentativas de feminicídio.
Outro dado que chamou a atenção foi o elevado índice de reincidência entre agressores. Muitos dos autores de violência doméstica analisados possuem antecedentes criminais, envolvimento com atividades ilícitas e histórico de descumprimento de medidas protetivas de urgência, circunstâncias que aumentam significativamente o risco para as vítimas e dificultam a interrupção do ciclo de violência.
Atuação integrada
Os estudos também destacaram os impactos indiretos da violência doméstica sobre crianças e adolescentes inseridos nesses ambientes. A exposição frequente a situações de agressão, abuso de substâncias e conflitos familiares foi apontada como fator de risco para problemas emocionais, evasão escolar, reprodução de comportamentos violentos e maior vulnerabilidade social.
Diante das evidências apresentadas, os representantes dos órgãos participantes convergiram no entendimento de que a repressão criminal, embora necessária, não é suficiente para enfrentar de forma efetiva o problema. O consenso foi que o combate à violência doméstica exige uma atuação multidisciplinar e integrada, envolvendo segurança pública, assistência social, saúde, educação e políticas públicas de prevenção.
Entre as principais propostas debatidas durante a reunião, destacou-se a implantação de um Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas (Caps AD) no Recanto das Emas, iniciativa considerada estratégica para ampliar o atendimento a pessoas com transtornos decorrentes do uso de substâncias psicoativas e reduzir fatores associados à violência intrafamiliar.
Também foram discutidas medidas voltadas ao fortalecimento da rede de proteção às vítimas, à ampliação do atendimento a dependentes químicos, ao combate qualificado ao tráfico de drogas, à intensificação da fiscalização sobre a comercialização de bebidas alcoólicas e à implementação de melhorias na infraestrutura urbana, especialmente em áreas identificadas como mais vulneráveis.
Ao final do encontro, a Polícia Militar do Distrito Federal reafirmou seu compromisso com a produção de conhecimento técnico aplicado à segurança pública e com o desenvolvimento de ações fundamentadas em evidências, fortalecendo a integração entre instituições e a construção de soluções capazes de promover mais segurança, proteção às mulheres e qualidade de vida para a população do Distrito Federal.
*Com informações da Polícia Militar do DF
Fonte: Agência Brasília
