Menopausa afeta até 80% das mulheres e ainda gera dúvidas sobre reposição hormonal

Especialistas explicam mitos e verdades sobre tratamento e qualidade de vida

A menopausa faz parte da vida de cerca de 30 milhões de brasileiras, mas ainda é cercada por dúvidas e desinformação. Dados recentes apontam que até 82% das mulheres apresentam sintomas que impactam diretamente a qualidade de vida, como ondas de calor, alterações do sono e mudanças de humor. Mesmo assim, muitas ainda deixam de buscar acompanhamento médico por medo ou falta de orientação adequada.

Segundo especialistas, a menopausa não deve ser vista como um período de declínio, mas como uma fase natural que exige atenção e cuidado. A endocrinologista Tassiane Alvarenga destaca que, atualmente, muitas mulheres passam quase metade da vida no período pós-menopausa, o que torna essencial o acompanhamento baseado em informação e evidência científica.

Entre os principais mitos, está a ideia de que a menopausa significa perda de qualidade de vida. Especialistas explicam que, embora a queda hormonal possa provocar sintomas, é possível atravessar essa fase com bem-estar, autonomia e qualidade de vida com o suporte adequado.

Outro equívoco comum é acreditar que todas as mulheres terão sintomas intensos. Embora cerca de 80% apresentem algum tipo de manifestação, a intensidade varia de acordo com fatores como estilo de vida, saúde mental e genética.

A vida sexual também é cercada de mitos nesse período. A libido pode sofrer alterações, mas não desaparece obrigatoriamente. Com acompanhamento médico, é possível manter uma vida sexual ativa e satisfatória.

O ganho de peso é outro ponto frequentemente associado à menopausa. Apesar de mudanças no metabolismo, especialistas reforçam que o aumento de peso não é inevitável e está diretamente ligado a hábitos como alimentação e nível de atividade física.

A reposição hormonal segue como um dos temas que mais geram dúvidas. Durante anos, o tratamento foi associado ao risco de câncer de mama, mas hoje se sabe que a relação depende de fatores como tipo de hormônio, forma de uso e perfil da paciente. Quando bem indicada e individualizada, a terapia pode ser segura para muitas mulheres.

Outro ponto importante é o impacto cardiovascular. Especialistas explicam que existe uma janela de oportunidade para iniciar o tratamento, geralmente nos primeiros anos após a menopausa, quando os benefícios podem ser maiores.

Nem todas as mulheres precisam de reposição hormonal. A indicação costuma ser direcionada para aquelas com sintomas moderados a intensos ou maior risco de perda óssea. A decisão deve ser sempre individualizada e acompanhada por profissionais de saúde.

Também não é verdade que, ao iniciar a reposição hormonal, a mulher não poderá interromper o tratamento. O acompanhamento contínuo permite ajustes ou suspensão conforme a evolução clínica.

Para os especialistas, a menopausa vai muito além dos sintomas mais conhecidos. Trata-se de uma fase que envolve mudanças no cérebro, metabolismo, ossos e coração, exigindo acompanhamento médico estruturado e informação de qualidade.

Por Cris Oliveira – Jornalista | Blog da Cris
Especialista em política, políticas públicas, empreendedorismo e cobertura institucional

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