A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, adotou um discurso conciliador ao defender diálogo e cooperação com os Estados Unidos, em meio à escalada de tensão que marcou os últimos dias no país.

Em declaração divulgada neste domingo (4/1), Rodríguez afirmou que a Venezuela “reafirma sua vocação de paz” e busca um relacionamento internacional “equilibrado e respeitoso”, baseado na igualdade soberana e na não ingerência entre os Estados. Segundo ela, a prioridade do governo interino é avançar para uma convivência pacífica tanto com Washington quanto com os países da região.

A mudança de tom ocorre um dia após os Estados Unidos realizarem uma ação militar em território venezuelano que, segundo o governo norte-americano, resultou na captura do presidente Nicolás Maduro e da primeira-dama Cilia Flores. Até então, Delcy Rodríguez vinha adotando um discurso duro contra intervenções estrangeiras, afirmando que o país não se renderia e estava preparado para defender sua soberania e seus recursos naturais.

Na carta divulgada pelos canais oficiais do governo venezuelano, a presidente interina afirma que acredita que “a paz global se constrói garantindo primeiro a paz de cada nação”. No texto, ela estende um convite formal ao governo norte-americano para a construção de uma agenda conjunta voltada ao desenvolvimento compartilhado, dentro dos marcos da legalidade internacional.

Em mensagem direta ao presidente Donald Trump, Rodríguez declarou que a região “merece paz e diálogo, não guerra”, ressaltando que esse sempre foi o posicionamento do governo venezuelano. Ela reforçou ainda o direito do país à soberania, ao desenvolvimento e a um futuro estável, defendendo a união dos cidadãos em torno de um projeto nacional comum.

Ameaças e pressão dos EUA

Apesar do discurso conciliador, o clima segue tenso. Donald Trump afirmou neste domingo que Delcy Rodríguez poderá “pagar um preço alto” caso não colabore com os planos dos Estados Unidos para a Venezuela. Em entrevista, o presidente norte-americano declarou que a atual liderança do país poderá enfrentar consequências ainda mais severas do que as impostas a Maduro.

No sábado (3/1), Trump também sinalizou que forças norte-americanas posicionadas na América Latina e no Caribe estariam prontas para uma nova ofensiva militar, caso considerada necessária. Segundo ele, Washington pretende conduzir um período de transição política no país e intervir diretamente em setores estratégicos, como o petróleo.

Operação militar e impactos

De acordo com declarações do governo dos EUA, a operação militar teve como alvo a estrutura do regime chavista e foi classificada por Trump como uma “operação brilhante”. Ele afirmou que a capacidade militar da Venezuela foi neutralizada.

Informações preliminares indicam que o número de mortos durante os ataques aumentou significativamente nas primeiras 24 horas, incluindo militares e civis. Autoridades venezuelanas também relataram perdas entre integrantes da segurança presidencial.

Nicolás Maduro e Cilia Flores chegaram a Nova York na noite de sábado, após serem retirados do território venezuelano. O casal desembarcou em um aeroporto internacional do estado de Nova York, onde Maduro permanece sob custódia das autoridades norte-americanas e deve responder a acusações relacionadas a crimes internacionais.

O cenário segue em rápida evolução, com forte impacto diplomático, humanitário e geopolítico, enquanto a comunidade internacional acompanha os desdobramentos da crise venezuelana.