Dentro dos hospitais e Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) do Distrito Federal, a ciência tem sido aliada direta na melhoria do atendimento à população. No Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal, o conhecimento produzido na rotina das unidades se transforma em estudos que orientam decisões clínicas, aperfeiçoam protocolos e tornam a assistência mais segura e eficiente no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS).
Em 2025, o Instituto contabiliza 145 pesquisas em andamento, sendo 29 patrocinadas. Os estudos abrangem áreas como segurança do paciente, doenças crônicas e infecciosas, alta complexidade, inovação em processos e gestão em saúde.
Pesquisa que nasce da assistência
As pesquisas não patrocinadas são desenvolvidas a partir das demandas da própria rede pública, conduzidas por profissionais do Instituto e voltadas às necessidades reais do SUS. Já os estudos patrocinados contam com apoio de instituições parceiras e da indústria, ampliando o acesso a novas tecnologias, métodos e possibilidades terapêuticas.
À frente da articulação científica está a Diretoria de Inovação, Ensino e Pesquisa (Diep). Segundo Emanuela Dourado, diretora da área, celebrar o Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência — instituído pela Organização das Nações Unidas em 2015 — também significa reconhecer o protagonismo feminino na transformação da saúde pública.
“A diversidade é fator essencial para inovação e qualidade assistencial”, afirma.
De acordo com a gerente de Pesquisa do Instituto, Ana Carolina Lagoa, o diferencial do IgesDF está na conexão direta entre assistência e produção científica. “A pesquisa nasce da prática hospitalar e contribui para aprimorar protocolos, otimizar fluxos e promover um cuidado mais seguro e baseado em evidências”, explica.
Parcerias que conectam o DF ao mundo
O avanço científico também é impulsionado por parcerias estratégicas com instituições nacionais e internacionais de referência, como:
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Hospital Israelita Albert Einstein
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Hospital Sírio-Libanês
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Universidade de São Paulo
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Universidade de Brasília
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Monash University
Além disso, há cooperação com empresas globais como GSK, Takeda e Amgen, permitindo que o Distrito Federal participe de estudos de ponta e acelere a incorporação de novas soluções ao SUS.
Mulheres que transformam perguntas em esperança
Entre as pesquisadoras de destaque está a médica gastroenterologista e hepatologista Liliana Sampaio Costa Mendes, que atua no Hospital de Base desde 2001. Doutora em gastroenterologia pela USP, ela coordena estudos voltados à cirrose, doenças raras e câncer hepático.
Segundo Liliana, a ciência permite revisar conceitos consolidados e ampliar perspectivas terapêuticas. “Descobrimos, por exemplo, que um tipo de descompensação da cirrose, antes considerado mais leve, podia ser tão perigoso quanto quadros graves. Isso nos fez agir mais cedo e proteger mais pacientes”, relata.
Conciliar assistência e pesquisa exige organização e disciplina. “É preciso reservar tempo protegido para a pesquisa, com a mesma seriedade dedicada ao atendimento. O esforço é grande, mas os resultados compensam”, afirma.
Ciência como resposta para o SUS
Para o IgesDF, investir em pesquisa significa buscar soluções mais eficientes, sustentáveis e acessíveis para a saúde pública. Estudos de custo-efetividade e inovação em protocolos podem representar diagnósticos mais precisos, menos complicações e mais chances de recuperação para pacientes atendidos na rede pública.
Ana Carolina destaca que a presença feminina na pesquisa é cada vez mais expressiva no Instituto. “Elas transformam a vivência diária nos serviços de saúde em conhecimento científico com impacto direto na assistência e na gestão”, afirma.
Ao incentivar meninas e mulheres na ciência, o Instituto reforça que diversidade também é estratégia de qualidade. Como resume Emanuela Dourado: “A ciência precisa de mais mulheres pesquisando e liderando projetos. No IgesDF, ciência também é cuidado — e cada vez mais tem voz de mulher.”
