O zumbido que surge após um ou mais dias de Carnaval não deve ser encarado como algo normal se persistir. Sensação de ouvido tampado, audição abafada ou dificuldade para entender o que as pessoas falam podem indicar agressão às estruturas internas do ouvido responsáveis pela audição.

Durante a folia, a exposição prolongada a trios elétricos e caixas de som, que frequentemente ultrapassam níveis seguros de ruído, pode provocar danos temporários ou permanentes à audição.

O médico otorrinolaringologista João Henrique Zanotelli, do Hospital de Base do Distrito Federal, unidade gerida pelo Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal, explica que existem dois tipos principais de lesões relacionadas ao excesso de ruído.

Segundo o especialista, o trauma acústico agudo ocorre após uma exposição intensa em curto período, como ficar muito próximo a uma caixa de som. Já a exposição repetida e prolongada pode levar à perda auditiva progressiva e irreversível, uma vez que as células responsáveis pela audição não se regeneram.

Uma orientação simples para identificar se o ambiente está perigoso é observar se é preciso gritar para conversar com alguém ao lado. Se for necessário elevar muito a voz, o nível de ruído provavelmente já ultrapassou o limite seguro.

Medidas simples fazem diferença

A fonoaudióloga Thaynara dos Santos, que atua na prevenção e no cuidado com a audição, reforça que os sintomas iniciais não devem ser banalizados. Zumbido, ouvido tampado, sensibilidade aumentada aos sons e dificuldade para compreender a fala são sinais de fadiga das células auditivas.

Entre as medidas de prevenção estão:

  • manter distância das caixas de som e trios elétricos;

  • evitar permanecer muitas horas seguidas no mesmo ponto;

  • fazer pausas em ambientes silenciosos;

  • alternar dias de maior exposição com períodos de descanso auditivo.

O uso de protetores auriculares é uma das formas mais eficazes de prevenção. Eles podem reduzir o som entre 15 e 35 decibéis, dependendo do modelo, e são acessíveis, discretos e não comprometem a diversão.

Crianças, idosos e pessoas que já apresentam perda auditiva exigem atenção redobrada. O sistema auditivo infantil ainda está em desenvolvimento, o que aumenta a vulnerabilidade ao dano. Já idosos devem limitar o tempo de exposição e reforçar o uso de proteção.

Quando procurar atendimento médico?

Alguns sintomas indicam a necessidade de avaliação especializada, especialmente se não houver melhora após repouso auditivo em local silencioso. É importante procurar atendimento em caso de:

  • zumbido persistente por mais de 24 a 48 horas;

  • dor no ouvido;

  • sensação contínua de ouvido tampado ou audição reduzida;

  • tontura ou outros sintomas associados.

A recomendação dos especialistas é clara: prevenir hoje é a melhor forma de garantir uma boa audição no futuro.