Caracterizada por episódios súbitos de desmaio, a síncope vasovagal é causada por um reflexo do sistema nervoso autônomo que provoca queda abrupta da frequência cardíaca e da pressão arterial. Embora seja considerada uma condição benigna — sem relação direta com doenças cardíacas estruturais —, o problema pode gerar sustos, quedas e acidentes, afetando significativamente a qualidade de vida dos pacientes.
Nos últimos anos, uma técnica inovadora e minimamente invasiva vem ganhando destaque no tratamento da condição: a cardioneuroablação. O procedimento tem sido apontado como alternativa eficaz para pacientes que não respondem bem a abordagens convencionais.
Levantamento divulgado pelo Centro Cardiológico, com atuação em São Paulo, mostra que 100% dos casos de síncope vasovagal atendidos pela clínica já são tratados com essa técnica. O método foi desenvolvido por uma equipe do Hospital do Coração e vem sendo incorporado progressivamente à prática clínica.
Como funciona o procedimento
Segundo o cardiologista Ricardo Ferreira, fundador do Centro Cardiológico, a cardioneuroablação é realizada por meio da veia femoral, sem necessidade de cortes cirúrgicos. O procedimento utiliza radiofrequência para modular o sistema nervoso autônomo responsável pelo controle da frequência cardíaca, reduzindo a ação excessiva do nervo vago sobre o coração.
“Trata-se de uma alternativa mais simples e segura, com menor tempo de recuperação e menos impacto para o paciente”, explica o médico.
Resultados e tendência de crescimento
Em 2025, o Centro Cardiológico realizou 422 procedimentos cardíacos, sendo que pouco mais de 3% deles estavam relacionados à síncope vasovagal. Em todos esses casos, a técnica de cardioneuroablação foi adotada como forma de tratamento.
A expectativa, segundo o Dr. Ricardo Ferreira, é de crescimento na procura pelo procedimento. Para 2026, a projeção é de um aumento de 20% no número de casos, refletindo maior disseminação da técnica e confiança dos pacientes nesse tipo de abordagem.
Avanço no tratamento de uma condição comum
Especialistas avaliam que a cardioneuroablação representa um avanço importante no manejo da síncope vasovagal, ao oferecer uma opção terapêutica eficaz, menos invasiva e com potencial de reduzir significativamente a recorrência dos desmaios, trazendo mais segurança e qualidade de vida aos pacientes.
