Policiais Rodoviários Federais realizam, nesta sexta-feira (27), uma mobilização nacional em defesa da criação do Fundo de Combate às Organizações Criminosas (FUNCOC). A iniciativa é considerada estratégica para fortalecer o enfrentamento ao crime organizado e garantir investimentos nas forças de segurança pública da União.
Os atos foram definidos pela Comissão de Mobilização da Federação Nacional dos Policiais Rodoviários Federais (FenaPRF) e começaram às 14h, com concentração em unidades da PRF em todo o país. No Distrito Federal, a mobilização ocorre no Departamento da PRF, no Setor Policial Sul, em Brasília.
Pressão e alerta de paralisação
Além dos protestos, a categoria já sinalizou a possibilidade de interrupção de atividades extraordinárias a partir da próxima semana. Entre elas, estão ações fora das atribuições legais da PRF, como forças-tarefa voltadas ao combate de irregularidades no setor de combustíveis.
A medida ocorre em um momento sensível, diante da preocupação do governo federal com uma possível nova mobilização de caminhoneiros, mesmo após avanços relacionados ao cumprimento do piso mínimo do frete.
Fundo travado no governo
A proposta de criação do FUNCOC foi apresentada ainda durante a gestão do então ministro Ricardo Lewandowski e prevê a destinação de recursos para investimentos institucionais e valorização das forças de segurança da União.
Atualmente, o projeto de lei segue paralisado no Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI), o que tem ampliado a pressão das categorias policiais.
Números que pressionam o governo
Dados da própria PRF reforçam o argumento da categoria sobre a necessidade de mais investimentos. Entre 2023 e 2025, foram registrados:
- 2.109,4 toneladas de maconha apreendidas
- 124,6 toneladas de cocaína
- 4.494 armas retiradas de circulação
- 1.226.514 unidades de anfetaminas apreendidas
- 107.333 m³ de madeira ilegal
- 123.545 pessoas detidas
Segundo o presidente da FenaPRF, Tácio Melo, os números demonstram o descompasso entre o tamanho do crime organizado e os recursos disponíveis para combatê-lo.
“Enquanto organizações criminosas movimentam cerca de R$ 350 bilhões por ano, o Estado investe menos de R$ 16 bilhões em segurança pública. A ideia é usar recursos do próprio crime para financiar o combate ao crime, sem novos custos para o cidadão”, afirmou.
Cobrança por tratamento igual
Outro ponto central da mobilização é a cobrança por isonomia entre as carreiras policiais federais. A categoria afirma que não aceitará tratamento desigual em relação a outras forças da União.
“A Polícia Rodoviária Federal não aceitará tratamento desigual frente às demais carreiras policiais federais. Qualquer iniciativa relacionada ao FUNCOC precisa contemplar a categoria de forma justa, sob risco de enfraquecer a efetividade do sistema de segurança pública”, reforçou Tácio Melo.
A mobilização nacional deve continuar nos próximos dias, enquanto a categoria aguarda avanços concretos do governo federal sobre a proposta.
Por Cris Oliveira – Jornalista | Blog da Cris
Especialista em política, políticas públicas, empreendedorismo e cobertura institucional.
