A disputa pela Presidência da República entrou em uma fase decisiva nesta sexta-feira (16/10). Pesquisa PoderData/Aya aponta empate numérico entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL), ambos com 50% dos votos válidos, a apenas nove dias do segundo turno, marcado para 25 de outubro.
O levantamento revela uma mudança importante na corrida eleitoral. Flávio Bolsonaro, que havia terminado o primeiro turno à frente de Lula e ampliado sua vantagem nas primeiras pesquisas da segunda etapa, viu a diferença desaparecer nas últimas duas semanas.
Na pesquisa divulgada em 8 de outubro, Flávio registrava 53% dos votos válidos, contra 47% de Lula. Em 13 de outubro, a vantagem caiu para dois pontos, com 51% para o candidato do PL e 49% para o petista. Agora, os dois aparecem empatados.
Evolução das intenções de voto
40%45%50%55%60%08/1013/1016/10
Fonte: PoderData/Aya | Percentuais de votos válidos
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Recuperação de Lula muda cenário eleitoral
O avanço de Lula ocorre em meio à intensificação da campanha petista, que passou a concentrar esforços na mobilização de eleitores e na divulgação de propostas relacionadas ao trabalho e aos serviços públicos.
Entre os temas que ganharam destaque está o fim da escala de trabalho 6×1, aprovado pelo Congresso Nacional nesta semana. A medida passou a ocupar espaço importante no debate eleitoral, embora não seja possível atribuir diretamente a ela a recuperação do presidente nas pesquisas.
Flávio Bolsonaro, por sua vez, enfrenta o desafio de recuperar a vantagem registrada nas primeiras semanas após o primeiro turno. O senador tem buscado ampliar alianças políticas e fortalecer sua presença na campanha para conquistar eleitores que não votaram nos dois finalistas na primeira etapa.
Mulheres preferem Lula; Flávio tem vantagem no Sul e Centro-Oeste
O levantamento também apresenta diferenças importantes no comportamento do eleitorado.
Entre as mulheres, Lula aparece com 55% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro registra 39%.
O senador do PL, por outro lado, apresenta melhor desempenho em regiões tradicionalmente importantes para a oposição ao governo federal. No Sul, Flávio alcança 57% das intenções de voto e, no Centro-Oeste, registra 54%.
Rejeição elevada amplia incerteza
Outro fator que pode influenciar o resultado do segundo turno é a rejeição aos candidatos.
Segundo o PoderData/Aya, 46% dos entrevistados afirmam que não votariam em Lula de maneira alguma. No caso de Flávio Bolsonaro, a rejeição é de 45%.
Apesar do empate nas intenções de voto, Flávio ainda lidera quando os entrevistados são questionados sobre quem acreditam que vencerá a eleição. Para 51%, o senador será eleito presidente, enquanto 42% apostam na vitória de Lula.
Os números mostram que a percepção de vitória não acompanha necessariamente a intenção declarada de voto.
Segundo turno entra na reta final sem favorito definido
O empate registrado pelo PoderData/Aya aumenta a importância dos próximos movimentos das campanhas.
Para Lula, o desafio será consolidar a recuperação e ampliar o apoio entre eleitores indecisos ou que ainda resistem à sua candidatura.
Para Flávio Bolsonaro, a prioridade será interromper a redução da vantagem observada nas pesquisas anteriores e transformar o apoio político conquistado em votos efetivos.
Com a eleição marcada para 25 de outubro, os próximos debates, entrevistas e atos de campanha poderão influenciar a decisão dos eleitores.
O cenário apresentado pelo levantamento é de uma disputa aberta, sem vantagem numérica para qualquer um dos candidatos.
Dados da pesquisa
A pesquisa PoderData/Aya foi realizada entre os dias 13 e 15 de outubro de 2026, com 3 mil entrevistados em 644 municípios das 27 unidades da Federação.
A margem de erro é de 1,8 ponto percentual, para mais ou para menos, com intervalo de confiança de 95%. O levantamento foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-04258/2026.
A pesquisa considera os votos válidos, excluindo votos brancos e nulos. Os resultados representam as intenções de voto no período das entrevistas e não constituem previsão definitiva do resultado eleitoral.
