Cappelli perde a queda de braço com o PT-DF, que mantém sua autonomia, confirma candidatura própria e frustra o plano do socialista de liderar uma chapa unificada

Derrotado na tentativa de comandar a chapa ao Buriti, o “interventor” de Geraldo Alckmin terá de disputar uma vaga de deputado caso queira construir uma trajetória política própria no Distrito Federal.

Por Cris Oliveira

O Partido dos Trabalhadores confirmou, nesta quarta-feira (5), a candidatura de Leandro Grass ao Governo do Distrito Federal. A decisão foi tomada durante convenção realizada em Brasília, no último dia do prazo estabelecido pela Justiça Eleitoral para os encontros partidários.

A federação formada por PT, PV e PCdoB também oficializou Dora Gomes (PV) como candidata a vice-governadora e Erika Kokay (PT) para uma das vagas ao Senado Federal. Para a segunda cadeira, o grupo anunciou apoio à reeleição da senadora Leila Barros (PDT).

A confirmação representa uma vitória do grupo petista que defendia a manutenção da candidatura própria e uma derrota política para Ricardo Cappelli (PSB), que pressionou publicamente o PT e apelou até ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva para liderar uma chapa unificada da esquerda no Distrito Federal.

Cappelli defendia que Leandro Grass desistisse da candidatura ao Buriti para ocupar a vaga de vice em uma composição liderada pelo PSB. A ofensiva, entretanto, não prosperou. O PT preservou sua autonomia, manteve o nome que aparece mais bem posicionado nas pesquisas e recusou entregar o comando da chapa a um candidato que registra menos da metade das intenções de voto de Grass.

 

A convenção encerrou semanas de articulações nos bastidores entre PT e PSB. Durante esse período, Cappelli elevou o tom, defendeu o chamado “bom senso” dos petistas e tentou apresentar sua candidatura como a alternativa capaz de reunir o campo governista.

A estratégia foi recebida com resistência por setores do PT-DF, que não aceitaram abrir mão novamente do protagonismo na disputa pelo Governo do Distrito Federal. Dirigentes petistas argumentaram que Grass possui maior inserção eleitoral, apoio dentro da legenda e desempenho superior ao de Cappelli nas pesquisas.

 

Com a diferença eleitoral e a resistência interna, a tentativa do PSB de assumir o comando da chapa perdeu força. O resultado da convenção deixou claro que o PT não aceitou receber ordens de um aliado com desempenho inferior nas pesquisas.

Interventor do 8 de Janeiro terá de repensar seu caminho

Ricardo Cappelli ganhou projeção nacional ao ser nomeado pelo presidente Lula interventor federal na segurança pública do Distrito Federal após os ataques de 8 de janeiro de 2023. A intervenção ficou restrita à área da segurança e vigorou até 31 de janeiro daquele ano, conforme o Decreto nº 11.377. Presidência da República

Depois disso, Cappelli ocupou postos importantes no governo federal e assumiu a presidência da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), vinculada ao ministério comandado pelo vice-presidente Geraldo Alckmin.

A experiência administrativa, porém, ainda não se transformou em força eleitoral no Distrito Federal. Derrotado na tentativa de assumir o comando da chapa da esquerda, Cappelli terá de decidir se mantém uma candidatura ao Buriti com baixo desempenho ou se busca uma disputa proporcional, como uma vaga na Câmara dos Deputados, para tentar construir uma trajetória política própria na capital.

 

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