A Prefeitura de São Paulo iniciou as tratativas para que o programa Armazém Solidário receba uma Nota de Reconhecimento Técnico do Conselho Federal de Nutrição (CFN). Caso a avaliação seja aprovada, a iniciativa será a primeira do país a conquistar a certificação, que atesta a adoção dos princípios previstos no Guia Alimentar para a População Brasileira, do Ministério da Saúde.
Nesta segunda-feira (3), representantes do CFN realizaram uma visita técnica à unidade do Armazém Solidário do M’Boi Mirim, na Zona Sul da capital paulista, para conhecer a estrutura, o funcionamento logístico e as ações de educação alimentar desenvolvidas pelo programa.
Participaram da agenda o secretário-executivo de Segurança Alimentar e Nutricional e de Abastecimento, Vitor Arruda; a presidente do CFN, Manuela Dolinsky; a diretora-secretária do Conselho, Risoneide Calazans; e a coordenadora de Relações Institucionais e Governamentais do órgão, Carolina Sette.
Duas nutricionistas responsáveis pela unidade também acompanharam a visita e apresentaram as atividades educativas realizadas com os consumidores.
Além da possível emissão da Nota de Reconhecimento Técnico, a Prefeitura e o CFN avaliam a construção de uma parceria para o aperfeiçoamento contínuo do Armazém Solidário. A cooperação poderá envolver a curadoria nutricional dos produtos e a capacitação das equipes de nutricionistas.
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“Saio daqui impressionada com a dimensão do programa. Em 31 anos de atuação como nutricionista e professora, posso afirmar que este é, sem dúvida, o programa social de maior impacto que já conheci”, afirmou a presidente do CFN, Manuela Dolinsky.
A diretora-secretária do Conselho, Risoneide Calazans, também destacou o potencial de expansão da iniciativa.
“Que esse modelo seja replicado em outros lugares necessitados do Brasil. Parabenizo a Prefeitura de São Paulo e a gestão da SESANA, que está à frente deste projeto”, declarou.
Modelo desperta interesse de outras cidades
Na semana passada, a unidade do M’Boi Mirim recebeu a visita do vice-prefeito de Aracaju, Ricardo Marques. Ele conheceu os processos logísticos e os desafios de implantação com o objetivo de avaliar a criação de uma iniciativa semelhante na capital sergipana.
O modelo também já despertou o interesse dos municípios paulistas de Santos e Suzano, que aprovaram a adoção do programa em seus territórios.
Alimentação saudável nas gôndolas
A solicitação do reconhecimento técnico está relacionada ao modelo operacional adotado pelo Armazém Solidário. O programa prioriza alimentos in natura ou minimamente processados e não comercializa produtos ultraprocessados, refrigerantes ou bebidas alcoólicas em nenhuma de suas sete unidades.
A iniciativa também incentiva a compra direta de produtos frescos de agricultores familiares do município, por meio do Sampa+Rural. A seleção inclui frutas, verduras, legumes, cereais integrais, proteínas animais frescas, laticínios, óleos vegetais e itens da cesta básica.
Segundo a Prefeitura, 94% dos aproximadamente 600 itens disponíveis nas gôndolas são alimentos in natura ou minimamente processados. O catálogo também conta com produtos de higiene e limpeza.
Todas as unidades possuem equipes de nutrição responsáveis pela avaliação técnica dos produtos e pela realização de atividades educativas. As orientações abordam assuntos como aproveitamento integral dos alimentos, redução do desperdício e adoção de hábitos mais saudáveis.
“É muito importante que o Armazém Solidário não seja apenas um espaço que oferece produtos mais baratos. Desde sua concepção, o Armazém Solidário é um equipamento preventivo de doenças”, explicou Vitor Arruda.
Segundo o secretário-executivo, a redução dos preços dos alimentos naturais e frescos, associada às ações de conscientização, pode ajudar no enfrentamento de doenças crônicas relacionadas à má alimentação, como hipertensão, diabetes e obesidade.
Descontos de até 50%
Criado em janeiro de 2024, o Armazém Solidário comercializa alimentos, hortifrutigranjeiros, produtos de higiene, perfumaria e itens para animais de estimação com descontos que variam de 30% a 50% em comparação com mercados e varejistas convencionais.
Os preços são atualizados diariamente com base em pesquisas realizadas nas redes de supermercados, com o objetivo de manter os valores abaixo dos praticados pela concorrência.
O atendimento é destinado aos moradores de São Paulo com inscrição ativa no Cadastro Único para Programas Sociais, o CadÚnico. As unidades também contam com assistentes sociais para orientar os consumidores sobre atualização ou reativação do cadastro.
Cada loja recebe, em média, cerca de 4 mil consumidores por dia. Ainda em 2026, a Prefeitura prevê abrir mais duas unidades na Zona Sul, priorizando regiões com maior concentração de famílias inscritas no CadÚnico. Até 2028, outras sete unidades deverão ser implantadas.
O programa também movimenta a economia dos bairros, gera empregos para moradores das regiões atendidas e mantém parceria com mais de 400 produtores agrícolas vinculados ao Sampa+Rural.
Reconhecimento internacional
Em dezembro de 2025, São Paulo recebeu da Guinness World Records o reconhecimento pelo maior programa municipal de segurança alimentar do mundo. De acordo com a Prefeitura, mais de 933 toneladas de alimentos foram distribuídas em um período de 24 horas.
A rede municipal supera a marca de 3 milhões de refeições gratuitas por dia, considerando a entrega de refeições prontas, produtos in natura e cestas básicas para famílias de baixa renda.
Além dos sete Armazéns Solidários, a Secretaria Executiva de Segurança Alimentar e Nutricional e de Abastecimento administra aproximadamente 200 equipamentos públicos. Entre eles estão a Rede Cozinha Cidadã, que distribui 15 mil refeições diariamente, e os 65 pontos da Rede Cozinha Escola, responsáveis por oferecer cerca de 26 mil pratos por dia.
A estrutura também inclui Banco de Alimentos, mercados e sacolões municipais, feiras livres, centrais de abastecimento e o programa Cidade Solidária, voltado à distribuição de cestas básicas.
