Após 15 horas de paralisação, Linha Sul do Metrô do Recife volta a operar, mas crise no sistema se agrava

Depois de quase 15 horas de interrupção, a Linha Sul do Metrô do Recife voltou a operar normalmente na manhã desta sexta-feira (3). A circulação dos trens foi retomada às 6h, após a conclusão de um serviço de manutenção na rede aérea entre as estações Porta Larga e Prazeres. Apesar da normalização, a retomada do serviço ocorre em meio a uma sequência de falhas, paralisações e acidentes que escancaram a crise no sistema metroviário da Região Metropolitana do Recife.

Segundo a Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU), o reparo foi concluído por volta das 5h, permitindo a reabertura de todas as estações das linhas Sul e Centro. A interrupção havia começado às 15h20 da quinta-feira (2), quando um problema na rede aérea obrigou a suspensão total da circulação na Linha Sul e o fechamento das estações do trecho.

Na noite da quinta, a CBTU informou que equipes técnicas trabalhavam no local, mas não havia previsão para a retomada da operação até o encerramento do dia. O serviço só foi restabelecido na manhã seguinte, deixando milhares de passageiros sem transporte em mais um episódio que evidencia a fragilidade do sistema.

Falhas se acumulam e aumentam pressão sobre o metrô

A nova paralisação acontece poucos dias depois de outro colapso na Linha Sul. Na segunda-feira (29), a CBTU suspendeu toda a operação após ficar sem trens suficientes para circulação. Dos sete veículos usados no trecho, cinco estavam fora de operação para manutenção, o que levou, pela primeira vez, à paralisação total da linha por falta de composições disponíveis. O serviço só foi totalmente normalizado na terça-feira (30).

Os episódios recentes reforçam uma sucessão de problemas que vêm comprometendo o funcionamento do metrô no Grande Recife e elevando a insatisfação dos usuários. Em 15 de junho, a Linha Centro registrou o segundo descarrilamento em menos de uma semana. O acidente aconteceu entre as estações Alto do Céu e Curado, interrompeu o Ramal Camaragibe e também afetou o Ramal Jaboatão por causa de uma falha elétrica.

Dias antes, em 11 de junho, o sistema havia sido abalado por uma tragédia. O metroviário Tiago Barbosa dos Santos, de 40 anos, morreu após sofrer um choque elétrico durante um serviço de manutenção na rede aérea, nas proximidades da Estação Tejipió. Segundo o Sindicato dos Metroviários de Pernambuco, foi o primeiro acidente fatal com um trabalhador em serviço na história do Metrô do Recife.

Trens seminovos ainda não entraram em operação

Enquanto a população enfrenta paralisações, atrasos e insegurança no transporte, a CBTU também lida com a demora para colocar em circulação os trens seminovos adquiridos junto ao Metrô de Belo Horizonte. O primeiro dos seis veículos foi entregue em maio, mas ainda não entrou em operação por causa de pendências na documentação e da necessidade de concluir etapas de montagem e testes.

A composição, com 24 anos de uso e sem ar-condicionado, custou R$ 10 milhões. A estatal ainda negocia a transferência de outras cinco unidades, o que pode elevar para 11 o total de trens enviados de Belo Horizonte para reforçar a frota no Recife.

Mesmo com a retomada da Linha Sul nesta sexta-feira, o cenário continua longe da normalidade. A sucessão de panes, a escassez de trens, os descarrilamentos e o atraso na chegada de novas composições mostram que os problemas do Metrô do Recife vão muito além de uma falha pontual e expõem a necessidade urgente de investimentos, m

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