Governo Lula emprega casal Grass em cargos comissionados que somam R$ 50 mil mensais

Esposa de Grass assumiu cargo comissionado na EBC em fevereiro de 2023, enquanto ele tomou posse no Iphan e, posteriormente, deixou a função para cumprir as regras de desincompatibilização eleitoral.

Por Cris Oliveira

A jornalista Marcela Rocha de Sá, esposa do candidato ao Governo do Distrito Federal Leandro Grass (PT), foi nomeada para um cargo em comissão na Empresa Brasil de Comunicação (EBC) em 1º de fevereiro de 2023, apenas um dia depois da cerimônia de posse do marido na presidência do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

A nomeação de Grass havia sido publicada no Diário Oficial da União em 13 de janeiro daquele ano. Sua cerimônia de posse ocorreu em 31 de janeiro, no Palácio do Itamaraty, em Brasília.

No dia seguinte, a então diretora-presidenta da EBC, Kariane Costa, assinou a Portaria-Presidente nº 127/2023, nomeando Marcela para o cargo em comissão de Assessor I, no Gabinete Executivo da Presidência da empresa.

Por se tratar de cargo comissionado, a nomeação não exigia aprovação em concurso público para aquela função, sendo realizada por indicação e designação administrativa, conforme as regras aplicáveis à empresa.

Designação assinada por Hélio Doyle

Em setembro de 2023, Marcela foi designada para a gerência de Imprensa, Relações Públicas e Comunicação Interna da EBC. O ato foi formalizado pela Portaria-Presidente nº 789/2023, assinada por Hélio Doyle, então diretor-presidente da empresa.

Doyle possui um histórico profissional relacionado a Grass. Em 2022, coordenou sua campanha ao Governo do Distrito Federal.

A relação profissional também passa pela campanha de Rodrigo Rollemberg em 2014. Naquele ano, Doyle coordenou a campanha do então candidato ao GDF, enquanto Marcela integrou a equipe de comunicação digital.

Remuneração na EBC

De acordo com a folha de remuneração da EBC referente a março de 2026, Marcela aparece como gerente, com remuneração de R$ 17.865,16 registrada na coluna correspondente à função de confiança ou cargo comissionado.

As portarias localizadas comprovam sua nomeação para funções comissionadas, mas não permitem afirmar que ela nunca tenha ocupado outro vínculo efetivo no serviço público.

A sequência dos atos demonstra que Marcela foi nomeada para a EBC quando Grass já exercia a presidência do Iphan e que, meses depois, sua designação gerencial foi assinada por Doyle.

A proximidade entre as datas e os vínculos profissionais anteriores não constitui, isoladamente, prova de favorecimento ou nepotismo. Os critérios utilizados para as nomeações podem ser esclarecidos por meio dos respectivos processos administrativos da EBC.

Os documentos estão disponíveis no portal oficial de transparência da empresa.

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