Em um dia marcado por nervosismo nos mercados doméstico e externo, o dólar aproximou-se de R$ 5,20, encerrando no maior nível desde o final de agosto. A bolsa de valores caiu quase 1%, fechando abaixo dos 184 mil pontos.
Esse movimento ocorreu em um contexto de maior aversão ao risco nos mercados internacionais, impulsionado pela alta dos juros dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos e pelo aumento do preço do petróleo, em meio a incertezas nas negociações entre Estados Unidos e Irã. No Brasil, os investidores também acompanharam as novas projeções econômicas do Banco Central e o cenário fiscal.
Principais números
Dólar à vista: R$ 5,1931 (+0,47%);
Ibovespa: 183.965,91 pontos (-0,99%);
Dólar no mês: alta de 0,26%;
Dólar no ano: queda de 5,39%;
Petróleo tipo Brent: US$ 106,60 (+3,41%);
Petróleo tipo WTI: US$ 94,61 (+2,65%).
Dólar avança
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O dólar comercial encerrou esta quinta-feira (24) cotado a R$ 5,193, com uma alta de 0,47%. A cotação começou o dia em R$ 5,16 e atingiu a máxima de R$ 5,202 por volta das 15h.
Com esse resultado, o dólar acumula uma alta de 0,26% em setembro, embora ainda registre uma queda de 5,39% no ano.
A valorização da moeda ocorreu em linha com o comportamento do dólar no exterior. O índice DXY, que mede o dólar em relação a uma cesta de seis moedas, subiu 0,14%, alcançando 101,270 pontos por volta das 17h.
A alta ganhou força ao longo da manhã, acompanhando a elevação dos rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos. Esse movimento foi impulsionado por preocupações com a inflação americana e a expectativa de manutenção de juros elevados pelo Federal Reserve.
O rendimento do Treasury (título público estadunidense) de dez anos chegou a 5,2209% no final da tarde, em comparação a 5,114% na sessão anterior. Este é o primeiro rendimento acima de 5% ao ano desde 2007.
Taxas mais altas para títulos públicos dos Estados Unidos, considerados os investimentos mais seguros do mundo, tendem a estimular a fuga de capital de países emergentes, como o Brasil.
Atuação do BC
O Banco Central também atuou no mercado de câmbio nesta quinta-feira. A autoridade monetária vendeu US$ 1 bilhão em dois leilões de linha simultâneos.
Nesse tipo de operação, o BC vende dólares com o compromisso de recomprar a moeda em alguns meses. Esse mecanismo aumenta a oferta de moeda estrangeira e a liquidez do mercado.
Na véspera, o BC informou que o fluxo cambial brasileiro estava negativo em US$ 7,078 bilhões em setembro até o dia 18.
Mais cedo, o Banco Central divulgou novas projeções econômicas, reduzindo a estimativa de crescimento do PIB em 2026 de 2% para 1,8%. Para 2027, a previsão é de crescimento de 1,4%.
Bolsa recua
O Ibovespa encerrou o dia em 183.965,91 pontos, com uma queda de 0,99%. O índice atingiu a máxima de 186.211,43 pontos e a mínima de 183.834,97 pontos.
Esse movimento acompanhou a deterioração do ambiente internacional para ativos considerados mais arriscados, especialmente nos mercados emergentes.
A alta dos rendimentos dos títulos americanos reduziu a demanda por ativos de risco ao longo do pregão. Ao mesmo tempo, o aumento do preço do petróleo intensificou as preocupações relacionadas à inflação.
O cenário doméstico também passou a ser monitorado pelos investidores após o governo divulgar novas projeções para as contas públicas. Os Ministérios da Fazenda e do Planejamento reduziram a necessidade de contenção de despesas de R$ 17,9 bilhões para R$ 16,1 bilhões, mas elevaram a previsão de déficit efetivo para 2026 para R$ 80,9 bilhões.
Esse resultado ocorreu enquanto o mercado acompanhava a divulgação de novas pesquisas eleitorais.
Petróleo acelera
O petróleo encerrou o dia com forte alta, em meio a incertezas sobre as negociações entre Estados Unidos e Irã e a possibilidade de reabertura do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas mundiais para o transporte de petróleo.
Referência para as negociações internacionais, o barril do tipo Brent subiu 3,41%, alcançando US$ 106,60 por barril. O produto acumula alta próxima de 4% na semana e superior a 18% no mês.
O barril do tipo WTI, do Texas, referência nos Estados Unidos, avançou 2,65%, cotado a US$ 94,61 por barril.
As cotações afastaram-se das máximas durante a tarde após informações sobre possíveis negociações entre Estados Unidos e Irã para estabelecer um acordo que permita a reabertura do Estreito de Ormuz.
Apesar disso, a falta de definição sobre as negociações manteve a pressão sobre os preços da commodity. A evolução do petróleo continua sendo relevante para os mercados, pois combustíveis mais caros podem aumentar as pressões inflacionárias e afetar as expectativas para as taxas de juros em diferentes economias.
* com informações da Reuters
Fonte: Agência Brasil
