O Ministério da Justiça e Segurança Pública apresentou, nesta terça-feira (4), um balanço das operações Lívia e Rede Interrompida, ações coordenadas pelo Laboratório de Operações Cibernéticas (Ciberlab), da Secretaria Nacional de Segurança Pública, em parceria com as polícias civis de oito estados.
As investigações tiveram como foco organizações que atuavam em plataformas digitais promovendo discursos de ódio, misoginia, racismo, antissemitismo, extremismo e incentivo à prática de crimes violentos.
Plano previa ataque à Esplanada dos Ministérios
Um dos principais resultados apresentados foi o da Operação Rede Interrompida, conduzida pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF).
Segundo as investigações, adolescentes utilizavam grupos no aplicativo Telegram para divulgar conteúdo extremista, recrutar novos integrantes e planejar um ataque a prédios da Esplanada dos Ministérios, previsto para ocorrer durante o período eleitoral, em outubro.
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Ao todo, foram cumpridos mandados de busca e apreensão contra oito investigados.
O delegado-geral da PCDF, José Werik, explicou que as investigações começaram após informações compartilhadas pelo Ciberlab.
“O objetivo era impedir uma escalada da violência e identificar pessoas associadas a grupos extremistas que atuavam no ambiente digital”, afirmou.
Adolescente foi salva durante investigação
Já a Operação Lívia, coordenada pela Polícia Civil de Mato Grosso do Sul, surgiu após uma adolescente de 13 anos ser induzida por integrantes de uma comunidade virtual a praticar maus-tratos contra um animal e, posteriormente, transmitir o próprio suicídio pela internet.
Durante a investigação, cinco adolescentes, com idades entre 13 e 18 anos, foram apreendidos em diferentes estados.
O coordenador do Ciberlab, delegado Alesandro Barreto, informou que outra adolescente também foi localizada antes de cometer suicídio durante uma transmissão ao vivo.
Segundo ele, as investigações revelaram uma rede organizada voltada ao recrutamento de jovens vulneráveis para desafios violentos, automutilação e outras práticas criminosas.
Governo cobra responsabilidade das plataformas
Durante a coletiva, representantes do Ministério da Justiça afirmaram que plataformas como Telegram e Discord descumpriram obrigações relacionadas à proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital.
O secretário nacional de Direitos Digitais, Victor Fernandes, informou que o governo determinou a remoção dos conteúdos investigados e a suspensão dos servidores utilizados para a disseminação do material.
Integração entre estados
O ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington Lima, destacou que as operações demonstram a importância da integração entre os órgãos de segurança pública e da produção de inteligência para prevenir crimes antes que eles ocorram.
Ele também reforçou o papel das famílias no acompanhamento da atividade de crianças e adolescentes na internet.
“É fundamental que pais e responsáveis acompanhem mais de perto o ambiente digital frequentado por seus filhos”, afirmou.
As operações envolveram forças policiais de oito estados e fazem parte da estratégia do Ministério da Justiça para ampliar o combate aos crimes praticados em ambientes virtuais e prevenir episódios de violência motivados por grupos extremistas.
