PT reage à pressão de Cappelli e endurece discurso: “Não aceitará ordens de quem chegou agora ao DF”

Enquanto Ricardo Cappelli aposta na aliança com o vice-presidente Geraldo Alckmin para fortalecer sua candidatura, Leandro Grass mantém prestígio junto à primeira-dama Janja da Silva, considerada uma de suas principais apoiadoras dentro do PT nacional.

Por Cris Oliveira

A disputa pela liderança do campo da esquerda no Distrito Federal entrou em um novo patamar após as declarações do pré-candidato do PSB ao Governo do DF, Ricardo Cappelli, que voltou a defender publicamente que o PT retire a candidatura de Leandro Grass para apoiar seu projeto eleitoral.

Na convenção do PSB, Cappelli afirmou que continuará trabalhando até o prazo final de registro das candidaturas para convencer o PT a unificar a esquerda em torno de seu nome. A declaração, porém, foi recebida com forte resistência por dirigentes e militantes petistas.

Nos bastidores, o clima é de indignação. Lideranças do partido afirmam que o PT não aceitará imposições de um aliado e que a legenda possui história e protagonismo suficientes para decidir seus próprios rumos políticos.

Entre os argumentos apresentados pelos petistas está o desempenho eleitoral de Cappelli. As pesquisas mais recentes colocam o socialista com cerca de 4% das intenções de voto, percentual considerado insuficiente para justificar a exigência de que o PT abra mão de uma candidatura construída desde o início do processo eleitoral.

Além da questão eleitoral, integrantes do partido resgatam episódios que, segundo eles, demonstram um histórico de distanciamento do PSB em relação ao projeto nacional liderado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Um dos fatos lembrados é que, durante a eleição presidencial de 2022, o PSB-DF não declarou apoio formal à candidatura de Lula no Distrito Federal, mesmo com Geraldo Alckmin, um dos principais quadros nacionais do PSB à época, compondo a chapa presidencial como candidato a vice-presidente.

Após apoiar o candidato do PV na última eleição ao GDF, dirigentes petistas afirmam que a legenda não abrirá mão de protagonismo em 2026 e manterá Leandro Grass como candidato próprio ao Palácio do Buriti.

Outro episódio citado ocorreu em 2014, quando a campanha de Rodrigo Rollemberg ao Governo do Distrito Federal se alinhou ao então candidato do PSDB à Presidência, Aécio Neves. Na ocasião, circularam materiais de campanha reproduzindo a histórica capa da revista Veja com a manchete “Eles sabiam de tudo”, em referência às acusações envolvendo Dilma Rousseff e Lula durante a Operação Lava Jato.

Nos bastidores do PT também há críticas ao estilo político adotado por Cappelli. Dirigentes afirmam que o ex-interventor da Segurança Pública do Distrito Federal, natural do Rio de Janeiro e com atuação política recente em Brasília, chegou ao cenário local tentando conduzir as articulações sem considerar a trajetória das lideranças petistas no DF.

Para esse grupo, a postura adotada pelo pré-candidato do PSB dificulta qualquer entendimento e reforça a percepção de que tenta impor uma liderança que ainda não foi construída politicamente na capital.

 

Outro fator que fortalece a posição de Leandro Grass é o apoio que recebe da direção nacional do Partido dos Trabalhadores.

Nos bastidores da legenda, aliados afirmam que Grass conta com o respaldo da primeira-dama Janja da Silva, que teria incentivado sua filiação ao PT e estimulado sua candidatura ao Governo do Distrito Federal.

A filiação de Leandro Grass foi abonada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em cerimônia realizada em Brasília que contou com a presença de Janja, reforçando o prestígio político do ex-deputado distrital junto ao núcleo nacional do partido.

Esse apoio é visto por integrantes do PT como um dos principais motivos para que a legenda mantenha a candidatura própria, mesmo diante das pressões do PSB por uma composição.

 

Com a convenção marcada para quarta-feira (5) ás 19h, o PT deve oficializar Leandro Grass como candidato ao Governo do Distrito Federal, sinalizando que não pretende recuar da disputa.

Caso o cenário seja mantido, a esquerda chegará dividida à eleição de 2026, com PT e PSB lançando candidaturas próprias ao Palácio do Buriti.

Apesar das declarações de Cappelli em favor da unidade, dirigentes petistas avaliam que qualquer construção de aliança passa pelo respeito à autonomia partidária e ao protagonismo histórico da legenda, rejeitando qualquer tentativa de pressão pública para a retirada de sua candidatura.

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