Por Cris Oliveira
Às vésperas das convenções partidárias, começa a temporada da “volta dos que nunca foram”. São pré-candidaturas anunciadas durante meses que agora desembarcam em outros destinos algumas sem escala e outras com direito a excesso de bagagem.
É o caso do senador Izalci Lucas. Durante anos, ele sustentou que disputaria o Governo do Distrito Federal pelo PL, apesar das declarações da direção do partido indicando que a legenda não teria candidatura própria e caminharia com Celina Leão.
Agora, Izalci veio a público dizer que o sonho não acabou. Apenas foi adiado. Para o Palácio do Buriti, fica para a próxima. Em 2026, o senador pretende disputar uma vaga de deputado federal.
A mudança, porém, traz uma nova questão: onde Izalci será acomodado? Cada partido poderá registrar até nove candidatos à Câmara dos Deputados no Distrito Federal, e o PL já vinha desenhando sua nominata. Quando chega um nome com mandato, estrutura e apetite eleitoral, sempre existe alguém que perde espaço na fotografia.
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Outro que começa a enfrentar dificuldades para sustentar o glamour de “candidato do ano” é Ricardo Cappelli. Pesquisa entra, pesquisa sai, e o ex-interventor continua orbitando a faixa dos 4%.
Cappelli tentou de tudo para ganhar intimidade com o eleitorado brasiliense. Começou com uma espécie de “Airbnb político”, dormindo nas cidades do DF, e depois avançou para o modo “Uber X da política”, percorrendo as regiões administrativas. Rodou bastante, mas, até agora, o taxímetro eleitoral quase não saiu do lugar.
Com Cappelli sem conseguir decolar, setores do PT-DF demonstram mais simpatia por uma composição com um nome do PSOL do que por uma aliança com o PSB de Rodrigo Rollemberg. A desconfiança vem de longe: no entendimento de petistas, Rollemberg contou com o apoio do partido para chegar ao Palácio do Buriti e, depois de eleito, rompeu politicamente com antigos aliados.
As convenções ainda nem começaram, mas as frustrações já pediram credencial. Em 2026, muita pré-candidatura anunciada como protagonista corre o risco de terminar como participação especial — ou simplesmente desaparecer dos créditos finais.
