“Não tenho nada a esconder”: Arruda rebate Celina, mas soma R$ 594,9 milhões em condenações, segundo levantamento

Apesar de afirmar que não tem “nada a esconder”, Arruda acumula condenações em segunda instância que somam R$ 594,9 milhões em multas e reparações ligadas à Operação Caixa de Pandora.

O ex-governador do Distrito Federal José Roberto Arruda (PL) reagiu às declarações da governadora em exercício Celina Leão (PP) e afirmou que não tem “nada a esconder”. A resposta veio após Celina declarar, durante evento realizado nesta terça-feira (2), que espera que adversários políticos “devolvam aquilo que devem aos cofres públicos” antes de criticarem a atual gestão.

Sem citar nomes, a governadora fez o comentário ao defender medidas adotadas pelo Governo do Distrito Federal e criticar opositores.

“Eu só espero que eles devolvam aquilo que eles devem aos cofres públicos aqui do Distrito Federal antes de vir falar de uma gestão séria que está trabalhando para corrigir os problemas que nós pegamos”, afirmou.

Poucas horas depois, Arruda publicou um vídeo nas redes sociais questionando se a declaração era direcionada a ele.

“Não entendi esse vídeo da governadora candidata. Será que está falando de mim? E se foi, está perdendo tempo. Minha vida foi vasculhada de cabeça para baixo esses 16 anos. Graças a Deus, não acharam nada de errado na minha vida pessoal. As pessoas me conhecem, conhecem os meus defeitos e as minhas qualidades. Eu não tenho nada a esconder”, declarou.

Apesar da afirmação, levantamento publicado pelo Metrópoles (https://www.metropoles.com/colunas/grande-angular/condenado-a-devolver-r-594-milhoes-ao-erario-arruda-levaria-2-001-anos-para-quitar-divida) aponta que Arruda acumula cinco condenações em segunda instância que somam R$ 594,9 milhões em multas e reparações determinadas pela Justiça.

Segundo a reportagem, apenas um dos processos resultou na condenação do ex-governador ao pagamento de R$ 419,2 milhões em reparação de danos, de forma solidária com outros réus, além de multa civil de R$ 139,7 milhões. O caso envolve um esquema de desvio de recursos públicos relacionado a um contrato emergencial firmado com a empresa Linknet Tecnologia e Telecomunicações.

As condenações são decorrentes de ações ligadas à Operação Caixa de Pandora, investigação que revelou um esquema de corrupção envolvendo integrantes do Governo do Distrito Federal, deputados distritais e empresários durante a gestão Arruda.

Recentemente, o ex-governador comemorou mudanças na Lei da Ficha Limpa e defendeu a possibilidade de disputar as eleições de 2026. Segundo ele, as condenações colegiadas ocorreram há mais de uma década e os efeitos de inelegibilidade teriam sido alcançados pelo novo entendimento aprovado pelo Congresso Nacional.

A questão, no entanto, ainda depende de análise do Supremo Tribunal Federal (STF), onde tramita uma ação que questiona as alterações promovidas na legislação.

A troca de declarações entre Celina Leão e Arruda ocorre em meio ao aumento da movimentação política no Distrito Federal e reforça o clima de disputa entre grupos que já articulam os próximos cenários eleitorais.

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