A tecnologia como forma de inclusão social e incentivadora de ações solidárias foi o tema trabalhado ao longo de toda a manhã desta quinta-feira (20) por alunos e professores de uma escola privada de Taguatinga. Eles desenvolveram suas atividades no Palco Makerspace, espaço disponibilizado pela Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação do DF (Secti/DF) na Campus Party, evento tecnológico de grandes dimensões que movimenta o ginásio Mané Garrincha até domingo (23), conectando ideias e projetos inovação no Distrito Federal.
O grupo apresentou um projeto de programa desenvolvido pelos alunos da instituição para auxiliar pessoas com deficiência visual a ter acesso à tecnologia. Lúdica, interativa e sensorial, a brincadeira educativa estimulava participantes, de olhos vedados, a explorarem suas percepções táteis e auditivas a partir de atividades envolvendo animais, formas geométricas, números e letras do alfabeto. A iniciativa nasceu de uma parceria entre o GDF e a escola privada.
“O convite partiu do GDF, e a condição era que a gente desenvolvesse um projeto que trouxesse algum ganho para a sociedade”, explicou a diretora da escola Casa de Brinquedos, Ana Elisa Dumont. “Fizemos uma pesquisa junto ao Governo do DF e percebemos que não existia nenhum aplicativo disponível para auxiliar na aprendizagem de deficientes visuais. Fizemos o desafio aos nossos alunos e aqui estamos.”
Acessibilidade
Aluno do terceiro ano do ensino fundamental, Lorenzo Guandalini, 8 anos, gostou da experiência. “Ah, foi bem legal. A gente tinha que descobrir, de olhos fechados, quais animais eram pela forma que eles tinham e pelo som que faziam”, detalhou o estudante, marinheiro de primeira viagem da Campus Party. “Nunca tinha vindo, estou gostando bastante. Adoro games, então acho que estou no lugar certo”, comentou, com os olhos brilhando.
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No mesmo espaço, os visitantes tiveram oportunidade de conhecer o funcionamento, em tempo real, de engenhocas modernas, como máquinas de corte a laser e impressoras 3D, além de brincar com espertos minirrobôs. “Tudo aqui é muito criativo, a gente aprende muita coisa só de olhar”, observou João Melo, 7 anos, aluno do segundo ano da Escola Parque 313/314 Sul.
A ideia é não apenas ter um mundo melhor para os nossos filhos, mas um filho melhor no mundo, mais humano e participativoRodrigo Guandalini, visitante do evento
Ana Elisa Dumont disse que está sendo gratificante participar da Campus Party por meio de uma parceria com o GDF, numa ação educativa e social, sobretudo por intensificar, entre os seus alunos e os participantes que passaram pelo local, o espírito de solidariedade. “O mais interessante foi o compromisso das crianças de querer estar aqui e auxiliar outras por meio da acessibilidade à tecnologia, despertar nelas a vontade de ajudar o próximo”, avaliou. “A ideia é não apenas ter um mundo melhor para os nossos filhos, mas um filho melhor no mundo, mais humano e participativo”, endossou o pai do pequeno Lorenzo, Rodrigo Guandalini, que fez questão de levar toda a família ao evento.
