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A polêmica carona no jatinho de empresário ligado ao setor de transporte, que a deputada Celina Leão pegou com destino ao Tocantins, vem deixando a presidente da Câmara Legislativa de Brasília em saia justa. O Ministério Público já abriu investigação para apurar; a ONG Adote um Distrital também está com a Leoa na mira. Será uma verdadeira caçada, que pode levar à cassação do mandato de Celina.

Neste fim de semana a assessoria da presidente Celina Leão tentou desmentir a viagem, alegando até que fotografias de outras viagens haviam sido postadas com a intenção de difamar a presidente da Câmara Legislativa.

Acontece, que Celina não pode fugir nem deste episódio e nem de outros revelados agora com exclusividade. Não é a primeira vez que a presidente da Câmara usa estrutura particular disponibilizada por empresários que proporcionam férias dela e de sua família.

Outro empresário. como Giovanne Meirelles, muito amigo de Celina, colocou aeronaves a disposição da deputada, sendo usado no Rio de Janeiro para deslocamentos a Angra dos Reis e outros trechos. Agora, no Tocantins, um empresário da área de transporte presenteia com mimos o irmão de Celina Leão, Abrão Hizin, que tem negócios com o lobista de Brasília, Silvio Assis. E os mimos são estendidos a Celina.

A presidente tentou justificar a carona, dizendo ter sido convidada para ir ao Tocantins. Coincidência ou não, na sexta-feira aconteceu naquele Estado um encontro de governadores, e lá estava o governador de Brasília, Rodrigo Rollemberg.

É importante ressaltar que Celina Leão, que detém cerca de 40% de poder dentro do GDF, vem dando total respaldo a ações promovidas pelo governador Rodrigo Rollemberg, fazendo o papel de interlocutora entre a Câmara Distrital e o Palácio do Buriti. Chega a ocupoar um espaço que seria do vice, Renato Santana, que foi alijado de todo o projeto conhecido como Pacote da Maldade.

A viagem no jatinho particular de empresário do setor de transporte só pôde vir a tona após a postagem no Facebook do irmão de Celina, Fernando Leão, que mora em Goiânia. A inocência que funciona como um mix para a impunidade foi escrita pelo irmão, divulgando estar num jatinho ao lado da irmã, toda poderosa em Brasília, a caminho de Tocantins.

As palavras inocentes de Fernando deixaram rastros que se investigados pelo Ministério Público e apurados com rigor pela Corregedoria da Câmara, poderão até cassar o mandato da presidente. O jornalista José Seabra, do site Notibras, que trouxe à tona o tema, postou algumas fotografias de momentos de descontração de Celina e seus familiares nesta e em outras viagens.

A assessoria de Celina ponderou a necessidade de retirada das imagens, por atingir, disse a assessoria, uma figura pública. Sabe-se que Notibras atendeu ao pedido parcialmente, posto que uma das fotos se referia a um outro evento. Mas o site QuidNovi posta as imagens, que são públicas a partir do momento que foram postadas nas redes sociais.

Nos bastidores, pessoas ligadas à presidente Celina Leão deixam vazar que o jatinho usado por Celina foi disponibilizado pela dupla, Carlos Henrique Gaguim e Pablo. Acrescentam também que Pablo era conhecido na gestão de Gaguim como Pablo 30%. Gaguim foi governador do Tocantins e respondeu processo que o deixou inelegível por três anos em 2010.

Hoje, como deputado federal pelo PMDB de Tocantins, Gaguim ainda é investigado pelo Ministério Público e Polícia Federal por manter esquemas de negócios com o bicheiro Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira. A estreita relação do trio Pablo, Gaguim e Cachoeira, evidencia a continuidade do crime apurado na Operação Monte Carlo, da Polícia Federal.

O Ministério Público do Tocantins investiga contratos do governo do Estado com o grupo do empresário Rossine Aires Guimarães, apontado pela Polícia Federal como sócio do contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, em empresa usada para lavar dinheiro da máfia dos caça-níqueis.

Dono da Ideal Segurança, o empresário doou R$ 3,7 milhões às campanhas dos partidos do governador José Wilson Siqueira Campos (PSDB) e do antecessor dele, Carlos Gaguim (PMDB), com o qual também possui negócios.

Os repasses do governo somam, desde 2007, R$ 245,7 milhões. O MP está investigando a regularidade dos contratos, firmados com a Construtora Rio Tocantins (CRT), de propriedade de Rossine e usada por Cachoeira para negociar licitações, segundo o inquérito da Operação Monte Carlo.

Num dos grampos da PF, Cachoeira pergunta a um de seus parceiros, Gleyb Ferreira da Cruz, se deve fechar uma transação com a CRT ou com a Delta Construções.

A Promotoria de Defesa do Patrimônio Público também está apurando o envolvimento do ex-secretário de Relações Institucionais do Tocantins, o ex-senador Eduardo Siqueira Campos, no suposto direcionamento de um contrato de inspeção veicular para o grupo do contraventor.

Caso confirme a participação de Gaguim e Pablo na carona do jatinho oferecido à presidente da Câmara, Celina Leão, pode levar a parlamentar ao olho do furacão de um processo investigado pelo Ministério Público de Tocantins e Polícia federal a partir da operação Monte Carlo.

Com o se vê, a vaidade tem lá seus riscos. Fernando, inocente, confirmou o que a irmã Celina tentou desmentir. O resto é com o MP, Câmara Legislativa e Adote um Distrital.

Fonte: Notibras\Coluna Mino Pedrosa
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