O advogado Sacha Reck negou favorecimento a empresas de transporte durante o processo licitatório que renovou as concessões de transporte público em 2012. Reck depôs na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Transporte da Câmara Legislativa do Distrito Federal na manhã desta quinta-feira (1).

Durante arguição, os parlamentares indagaram Reck, diversas vezes, sobre sua dupla atuação, uma vez que ele teria advogado para empresas de transporte vencedoras e também participado da elaboração do edital de licitação do transporte público no DF. Para o presidente da CPI, deputado Renato Andrade (PR), a situação “é, no mínimo, imoral” porque o escritório de Sacha Reck advogou para empresas do grupo Constantino e Marechal.

A deputada Celina Leão (PDT), que acompanhou reunião da CPI em Curitiba (PR) na qual Sacha também foi depoente, afirmou que “o processo da legalização da corrupção foi o edital”. Ela destacou a necessidade de elucidar a “lógica da engenharia de quem rouba os cofres públicos”.

O depoente negou o impedimento e o conflito de interesses. Em sua defesa, Sacha apresentou parecer do jurista Marcel Fernandes Filho, alegando que as ações não são vinculantes. Com base nesse mesmo argumento, Reck disse que ele apenas emitia pareceres durante seu trabalho como consultor, os quais poderiam ser acatados ou não pelo então secretário de Transportes, José Walter Vazquez.

Ele também negou irregularidades no processo de sua contratação como consultor do consórcio Logit-Logitrans, que gerenciou a licitação do transporte coletivo. Durante a arguição, negou ainda que sua contratação fora determinada pelo ex-vice governador Tadeu Fillipelli.

Quebra de sigilo telefônico – A CPI aprovou, por unanimidade, a quebra do sigilo telefônico de Sacha, do pai dele, Garrone Reck, do ex-diretor do DFTrans, Marco Antônio Campanella, entre outros envolvidos no processo. Também foi aprovada a quebra do sigilo do ex-secretário de Transporte, José Walter Vasquez, por três votos favoráveis (deputados Renato Andrade, Raimundo Ribeiro – PSDB e Sandra Faraj – SD) e dois votos contrários (deputados Ricardo Vale – PT e Rafael Prudente – PMDB).

Sacha disponibilizou à CPI, espontaneamente, documentos sobre sua movimentação financeira e fiscal. “Não tenho nada a esconder”, disse. No entanto, ele se mostrou reticente à quebra do sigilo telefônico aprovado pela CPI. Segundo ele, suas ligações telefônicas envolvem comunicações com clientes e ele poderia ser responsabilizado profissionalmente pela quebra.

Franci Moraes – Coordenadoria de Comunicação Social
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