20.7 C
Distrito Federal
05/08/2020 - 21:29 PM

As Quentes da Política do DF

Ex-secretário de transporte condenado Quem se lembra da fraude da licitação de transporte públicos no governo Agnelo? Pois é, o ex-secretário José Valter e o...
More

    Projeto “Moisés” deve proteger Veneza de inundações



    Barreiras que levam o acrônimo de Mose, nome do profeta bíblico em italiano, devem isolar Veneza do mar. Cheia que atinge a cidade mostra urgência do projeto, mas explosão de custos e corrupção atrasam conclusão da obra.A fim de liberar ajuda financeira mais rapidamente, o governo italiano declarou estado de emergência após as inundações devastadoras em Veneza. O fato de a cidade ter sido mais fortemente atingida pelas enchentes não surpreende os especialistas. Com a mesma frequência que a Praça de São Marcos é atingida pela “acqua alta”, ou seja, pelo fenômeno das inundações, também se discute a finalização do projeto Mose – Moisés, em italiano, e acrônimo de Módulo Experimental Eletromecânico. Trata-se de um projeto de comportas metálicas para proteção contra inundações, cujo planejamento e construção já se arrastam há várias décadas. Para conter as marés de tempestades, 78 comportas metálicas submersas deverão ser instaladas nas três entradas da laguna de Veneza. Elas são retráteis e, quando necessário, sobem até a superfície para evitar que a água do Mar Adriático inunde a cidade. Como o Moisés bíblico, o maior projeto de infraestrutura da Itália deverá – um dia – ser capaz de dividir o mar, dizem os apoiadores da obra. Concebido na década de 1960, o planejamento concreto do projeto ocorreu nos anos 1990. Em 2003, o então primeiro-ministro Silvio Berlusconi lançou a pedra fundamental. Desde então, a realização da enorme barragem – inspirada em construções semelhantes na cidade portuária de Roterdã e no rio Tamisa perto de Londres – sempre foi acompanhada de atrasos, explosões de custos, paralisações e escândalos de corrupção. Atraso de sete anos – até o momento A princípio, o início de funcionamento estava agendado para 2014. O primeiro-ministro italiano, Giuseppe Conte, prometeu na última quarta-feira (13/11) durante uma visita à Veneza inundada, que o Mo.s.e (= modulo sperimentale elettromeccanico) deve entrar em operação no início de 2021. “92 ou 93% estão concluídos”, disse Conte. Quase todas as comportas metálicas amarelas estão ancoradas em sua base de concreto no fundo da laguna. Atualmente, o software e a eletrônica de controle estão em fase de testes. Pouco antes da atual cheia devastadora, outro teste foi agendado, mas foi cancelado devido a inconsistências técnicas. “Gastou-se muito dinheiro, houve muitas controvérsias e escândalos, mas se considerarmos o todo e tivermos o interesse público em mente, teremos que assumir a decisão de finalizar agora o projeto”, disse o chefe de governo italiano, após visitas a bairros inundados. Resgate controverso O atual prefeito de Veneza, Luigi Brugnari, é um claro apoiador do grande projeto Mo.s.e. “Se já estivesse concluído, teríamos sido poupados do pior desta vez”, afirmou Brugnari na terça-feira, quando a marca da água, 187 centímetros acima da média, atingiu seu nível mais alto desde 1966. No passado, também houve prefeitos que trabalharam contra o projeto. Ambientalistas também alertam que as comportas perturbariam sensivelmente o ecossistema da laguna. Quando os portões estiverem fechados, a troca natural de água é interrompida. A quantidade de oxigênio na água cairia então acentuadamente em torno de Veneza. O número de fechamentos das comportas e sua duração devem, portanto, ser limitados a alguns dias por ano. A empresa operadora do Mo.s.e, o Consorzio Venezia Nuova, afirma que as comportas só precisam ser fechadas por algumas horas durante as fortes inundações. No entanto, a tendência é ampliar esse intervalo de tempo devido ao crescente número de níveis críticos de água, explicou uma porta-voz do consórcio. O professor de engenharia hidráulica Luigi D’Alpaos alertou anos atrás que, devido ao aumento do nível do mar, a barragem precisa ficar fechada por semanas para ser eficaz. No entanto, isso não é compatível com os requisitos ecológicos, afirmou D’Alpaos na revista spektrum. As mudanças climáticas podem fazer com que o nível do mar na laguna suba mais meio metro em algumas décadas, temem os ambientalistas. Subsidência natural e cruzeiros Além disso, existem outros fatores que tornam a mundialmente famosa cidade da laguna suscetível a inundações. Veneza, que foi construída sobre estacas de madeira fincadas em solo lamacento, está afundando lentamente. Desde 1897, consta que ela afundou 25 centímetros. Houve planos de embasar a cidade inteira sobre uma fundação de concreto ou elevá-la novamente com água que seria bombeada no subsolo. Mas esses planos foram reiteradamente rejeitados ao longo dos anos. Em 2017, a administração da cidade decidiu construir um sistema de pequenas barragens, em parte móveis, com bombas para manter secas pelo menos a Praça de São Marcos e a catedral, com seus delicados mosaicos de piso, durante as cheias anuais normais. Mas esse sistema também não foi concluído até hoje. O crescente número de navios de cruzeiro e o tráfego marítimo como um todo sobrecarregam a cidade de Veneza e as ilhas vizinhas. As ondas corroem os pilares de madeira das casas. Os canais profundos, necessários para navegação, canalizam mais água para a laguna. Além disso, há também o assoreamento natural da laguna. Como os sedimentos, ela fica cada vez mais rasa, fazendo com que, no caso de tempestades, as massas de água que são levadas pelo vento transbordem mais rapidamente. Se o nível de inundação exceder a marca de 110 centímetros, a prefeitura da cidade emite o alerta “laranja”. Nas estatísticas da cidade de Veneza, pode-se ver que, atualmente, esse nível de aviso é emitido quatro vezes mais frequentemente do que há 40 anos. Altos custos construtivos e operacionais Quando algum dia a barreira Mo.s.e estiver operacional, ela terá custado ao menos de 6 bilhões a 7 bilhões de euros (cerca de 27 bilhões a 32 bilhões de reais), em vez do 1,36 bilhão de euros previsto inicialmente. Em junho de 2014, o Mo.s.e vivenciou o seu pior golpe: o então prefeito de Veneza, Giorgio Orsoni, foi preso e depois condenado junto com outros cúmplices, por desviar meio bilhão de euros em conexão com o megaprojeto. Seguiu-se uma paralisação da obra. Os portões metálicos começaram a enferrujar. Somente anos depois, eles puderam ser movidos novamente. O que também não está claro é como serão financiados os custos de manutenção, calculados entre 20 milhões e 100 milhões de euros.

    Comentários

    - PUBLICIDADE -

    Notícias Relacionadas

    Itamaraty acompanha situação de brasileiros em Beirute após explosão

    O Ministério das Relações Exteriores (MRE) emitiu nota oficial nesta terça-feira (4) em que manifesta solidariedade ao povo e ao governo do Líbano após...

    Registros de gripe sazonal atingem baixas recordes

     As regras de distanciamento social global contra o novo coronavírus fizeram os índices de infecção de gripe atingirem baixas recordes, mostram dados iniciais, sinalizando...

    Paraguai suaviza quarentena em região fronteiriça com o Brasil

    O governo paraguaio flexibilizou nessa quinta-feira (30) a quarentena rígida que havia imposto em Alto Paraná, um departamento que faz divisa com o Brasil e...
    - PUBLICIDADE -

    Últimas Notícias

    Senado aprova uso do salário-educação para pagamento de pessoal

    O Senado aprovou, hoje (5), o Projeto de Lei (PL) 2.906 de 2020, que permite o uso dos recursos do salário-educação para o pagamento...

    Cerrado ganha comitê de acompanhamento de preservação

    Atento à preservação ambiental de um dos seus maiores patrimônios naturais, o Governo do Distrito Federal (GDF) começa a dar as diretrizes de um...

    PMDF apreende pássaros criados em cativeiro de forma irregular

    Policiais militares do Grupo Tático Ambiental (GTA) apreenderam cinco aves que não tinham autorização para serem criadas em cativeiro na tarde de hoje (5),...

    Presidente do TST defende licença parental

    A presidente do Tribunal Superior do Trabalho (TST), Cristina Peduzzi, é favorável à adoção no Brasil de licenças parentais, do pai e da mãe...

    Morre liderança indígena do Alto Xingu

    Morreu nesta quarta-feira (5), em Goiânia, o cacique Aritana Yawalapiti, uma das principais lideranças indígenas da região do Alto Xingu (MT). Aos 71 anos,...