20.2 C
Distrito Federal
sexta-feira, 29 maio, 2020

As Quentes da Política do DF

Inquéritos das Fake News Oito deputados ligados ao presidente Bolsonaro são alvo da operação da Polícia Federal que investiga Fake News na internet contra os...
More

    Transplante de coração, 50 anos depois: técnica sobrevive com vitória sobre rejeição

    - PUBLICIDADE -



    RIO- Menos de uma hora antes de o sol nascer no dia 3 de dezembro de 1967 na Cidade do Cabo, África do Sul, o coração de uma pessoa morta bateu pela primeira vez no peito de outro ser humano. O primeiro transplante cardíaco bem-sucedido foi realizado pelo médico sul-africano Christiaan Barnard, então com 44 anos de idade. O feito, até então considerado inconcebível por muitos e rodeado de polêmicas de ordem técnica e moral, transformou o cirurgião, da noite para o dia, em uma estrela.

    Leia mais: https://oglobo.globo.com/sociedade/saude/transplante-de-coracao-50-anos-depois-tecnica-sobrevive-com-vitoria-sobre-rejeicao-22141346#ixzz50NkCriPn
    stest

    O paciente transplantado viveu só 18 dias a mais — a morte foi por infecção pulmonar. Mas a notícia da proeza alcançada se espalhou como fogo, incentivando muitos centros mundo afora a colocarem a técnica em prática. No Brasil, por exemplo, a primeira cirurgia do tipo aconteceu apenas cinco meses depois da de Barnard — foi a quinta do mundo e a primeira da América Latina. Hoje, são feitos no planeta uma média de 4.500 transplantes de coração todo ano, e estima-se que o Brasil termine 2017 com 370 cirurgias deste tipo, cem a mais do que a média anual do país. O desafio para o futuro é aumentar o número de doadores.

    — Hoje, 42% das famílias brasileiras, infelizmente, não autorizam a doação de órgãos. Esse cenário tem que mudar — clama Fabio Jatene, diretor da Divisão de Cirurgia Cardiovascular do Instituto do Coração (Incor), em São Paulo, que é hoje o sétimo centro no mundo que mais realiza transplantes cardíacos.

    O Hospital Grote-Schuur, na Cidade do Cabo, onde o transplante inédito foi realizado exatos 50 anos atrás, foi transformado em museu. Nele, há salas com reconstituições de momentos-chave da histórica operação, que levou cerca de cinco horas, como se as cenas estivessem congeladas.

    Louis, que recebeu o coração, e Denise, que doou o órgão – – / AFP

    O paciente era Louis Waskansky, um homem branco de 53 anos que havia sido internado com problemas cardíacos graves, e a equipe médica lhe deu no máximo duas semanas de vida. O hospital chegou a receber um doador negro, mas o chefe do setor de Cardiologia convenceu Barnard a não tentar realizar esse transplante, já que a África do Sul estava no auge do Apartheid, regime de segregação entre brancos e negros. Logo depois, porém, apareceu Denise Darvall, jovem branca de 25 anos que havia morrido atropelada.

    Embora o coração da moça tenha alcançado pleno funcionamento no peito de Waskansky, o sistema imunológico dele ficou muito enfraquecido com as drogas utilizadas para evitar a rejeição, o que levou a uma infecção fatal. Apenas um mês depois, Barnard fez o segundo transplante de coração e, desta vez, com grande sucesso: o dentista Philip Blaiberg viveu um ano e sete meses com o novo coração.

    REJEIÇÃO, A GRANDE VILÃ

    De lá para cá, quase nada mudou em relação à técnica operatória para transplantar um coração. A grande diferença foi que aperfeiçoamos a forma de evitar a rejeição, grande vilã da época.

    — A técnica em si é simples. Mais fácil do que fazer uma ponte de safena, por exemplo — diz o cardiologista Euclydes Marques, que participou do primeiro transplante cardíaco do Brasil, em 1968, no Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (USP). — A grande evolução foi o surgimento, entre os anos de 1970 e 1980, de novas drogas muito mais eficazes contra rejeição.

    Órgão usado no transplante – RODGER BOSCH / AFP

    Em 1968, foram realizados 102 transplantes em todo o mundo. No entanto, na década de 70 praticamente todos os centros interromperam a realização dessas cirurgias, por conta do altíssimo índice de rejeição e infecção. Apenas na década seguinte, com os novos medicamentos, retomou-se a prática.

    Marques lembra que, ainda no final dos anos 60, era extensa a lista de questionamentos: quanto tempo um coração pode ficar fora do corpo?; É ético retirar o coração de alguém que teve morte cerebral?; O transplante funciona da mesma forma em animais e em pessoas? Nenhum cardiologista tinha resposta para essas perguntas.

    — Esses eram problemas que rondavam nossas reuniões. Já há algum tempo se fazia transplante de rim e córneas, mas mexer com um órgão ímpar como o coração era considerado diferente — recorda-se Marques, hoje aos 82 anos e pesquisador aposentado do Incor. — Havia pressão religiosa e moral sobre como lidar com isso, mas estávamos num momento da pesquisa cardiológica em que sabíamos que o transplante ia acontecer, mais cedo ou mais tarde.

    ‘CORRIDA PELO OURO’

    Essa certeza era tão grande que três cirurgiões americanos disputavam para ver quem alcançaria o feito primeiro. Norman Shumway — que fazia, de forma precursora, experimentos com transplantes de coração em cães desde 1958 —; Richard Lower; e Adrian Kantrowitz.

    — Os três já haviam anunciado que fariam o transplante, e, para muitos da comunidade médica, ficou por muito tempo a sensação de que o Shumway é quem deveria ter feito — conta Noedir Antônio Stolf, que também participou do primeiro transplante brasileiro.

    Muitos acusam o sul-africano Christiaan Barnard de ter agido de forma oportunista em busca de fama. Mas, segundo Stolf, o fato é que seus transplantes mostraram mais sucesso do que o de seus concorrentes.

    — Barnard talvez tivesse estudado menos, mas foi mais arrojado. Shumway fez cães viverem muito tempo com novos corações, mas o primeiro transplante em humanos que ele fez, três dias após Barnard, levou à morte do paciente com graves complicações. Então não acho que Barnard foi oportunista. Não são só os anos de experiência que definem o preparo.

    Leia mais: https://oglobo.globo.com/sociedade/saude/transplante-de-coracao-50-anos-depois-tecnica-sobrevive-com-vitoria-sobre-rejeicao-22141346#ixzz50NkHYpeY
    stest

    Fonte: O Globo

    Comentários

    - PUBLICIDADE -

    Notícias Relacionadas

    - PUBLICIDADE -

    Últimas Notícias

    Homem é preso por porte ilegal de arma de fogo no Riacho Fundo II

    Um homem foi preso por ilegal de arma de fogo, na noite de quinta-feira (28), na QN 8D, conjunto 1 do Riacho Fundo II. A...

    Investigado por desvios na saúde, Edmar Santos deixa o governo Witzel

    O governo do estado do Rio confirmou agora à noite que Edmar Santos pediu exoneração ao governador Wilson Witzel do cargo de secretário extraordinário...

    Setur orienta artesãos do DF para retomada de atividades

      Abertura gradual do comércio impulsiona o artesanato local; orientações de preservação da saúde são seguidas à risca | Foto: Luís Tajes / Setur O artesanato...

    PMDF apreende mais de R$ 25.000 proveniente de provável tráfico de drogas

    Policiais militares do Grupo Tático Operacional 24 (Gtop 24), prenderam dois homens e apreenderam cerca de R$ 25.000 e substâncias que aparentam ser maconha...

    Respeito às normas marca a luta contra coronavírus

    A luta do Governo do Distrito Federal (GDF) contra o coronavírus, causador da Covid-19, vai além do esforço concentrado nas áreas de saúde, segurança...