Angela Lacerda – O Estado de S. Paulo

RECIFE – O presidente nacional do PRB, Marcos Pereira, admitiu nesta segunda-feira, 13, a possibilidade de uma aliança nacional com o PSB caso o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, seja candidato à Presidência em 2014. A compensação seria o apoio do PSB à candidatura de Celso Russomanno ao governo de São Paulo. “Evidentemente isso tem importância, tem um peso, o que vamos considerar”, disse Pereira após almoçar ontem com o governador. Segundo ele, Russomanno aparece em segundo lugar nas pesquisas internas, atrás do governador tucano Geraldo Alckmin.

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O dirigente fez questão de frisar que o partido ainda não tomou nenhuma atitude sobre alianças e que, por ora, são avaliações pessoais.

Em Pernambuco, o PRB já integra a base de apoio de Campos. Em São Paulo, o PSB apoiou o candidato do PT à Prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad. A aliança PSB-PT em São Paulo só foi concretizada após apelos e intervenção do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Em entrevista na sede do PRB no Recife, depois de se encontrar com o governador no palácio do governo, Pereira frisou que o PRB, “no cenário atual”, está com a presidente Dilma”.

Deixou claro, no entanto, que essa posição poderá ser revista: “Temos que ver se a economia vai deslanchar, se vai melhorar, para poder ver para que lado a gente vai em 2014”. Segundo Pereira, Eduardo Campos nada tem a perder se se candidatar. “Se eu fosse ele, disputaria a eleição”, afirmou.

Na sua avaliação, se o PSB conseguir alianças com outros partidos e conquistar cinco minutos de televisão, “a candidatura de Campos será competitiva e com grande chance de chegar ao segundo turno”.

A aliança com o PRB daria ao partido de Campos 30 segundos diários de propaganda eleitoral em rádio e televisão. “Lula perdeu três para ganhar a quarta eleição”, lembrou o presidente do PRB, ao destacar que a candidatura de Celso Russomanno (PRB) à Presidência, em 2010, promoveu o aumento da bancada e reforçou a sigla nacionalmente. “Não perdemos nada”.

No almoço, que teve peixe como prato principal, Marcos Pereira disse que a conversa girou em torno da “política econômica nacional, do crescimento pequeno do PIB que tem que melhorar, da iminente inflação, que nos preocupa a ambos como presidentes nacionais de partidos que fazem parte da base do governo”. O crescimento econômico de Pernambuco, acima da média nacional, também foi abordado.

“Falamos pouco sobre 2014”, disse ele, ao afirmar que Campos não tomou a iniciativa de abordar o assunto. Teria sido provocado por Pereira, que disse considerá-lo pré-candidato, embora o veja “mais centrado, comedido, aguardando, mais em observação do que em campanha”.

O socialista lhe reafirmou que só tratará do assunto em 2014. Indagado se considera uma eventual candidatura de Campos um risco para a presidente Dilma, Pereira observou que “a eleição 2014 vai ser difícil em qualquer situação”. Mesmo com a vantagem de estar no poder, ser conhecida e ter forte aprovação popular. “Há sempre o desgaste de quem é governo”, disse e “pesquisa de aprovação do governo é diferente de reeleição, aprovação não garante reeleição”.

“Pela complexidade, dimensão do país, continental, acaba não cumprindo tudo o que promete, não acerta tudo, não faz o que gostaria de fazer”, exemplificou, ao afirmar que “o País é rico e mal gerido”. Ele defende a necessidade de uma solução para a infraestrutura brasileira, de portos, aeroportos, rodovias e ferrovias.

Ministério. Marcos Pereira também descartou a possibilidade de romper com o governo federal e entregar o Ministério da Pesca e Aquicultura que ocupa com Marcelo Crivella. Marcos Pereira esteve no Recife para a posse do novo presidente estadual do partido, Carlos Geraldo. Disse ter bom relacionamento com o governador e na quinta-feira o avisou da visita a Pernambuco. Foi, então, convidado para um almoço. Eduardo Campos não deu entrevista.

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