Marie Curie, cientista e física que conduziu pesquisas pioneiras em todo o mundo no ramo da radioatividade Foto: Domínio Público / Wikimedia Commons

Há algo se movendo na Academia Brasileira de Ciências, finalmente. A instituição de 103 anos de idade que nunca teve uma mulher eleita para a presidência em 49 mandatos – e apenas duas vice-presidentes neste período – acenou esta semana com uma planilha que reflete em algum grau o avanço da presença feminina na ciência brasileira.

Na eleição dos novos membros titulares da ABC, metade dos novos nomes são de mulheres. Elas são 7 dos 14 renomados pesquisadores que passam a compor o grupo de “cientistas radicados no Brasil há mais de 10 (dez) anos, com destacada atuação  científica”, como está definida a categoria “Titulares”.

Mas como a história da instituição está marcada por uma desigualdade abissal de gênero, até a semana passada eram 467 homens titulares diante de 86 mulheres (16%).

Com a eleição, nada muda estruturalmente na proporção. Reunindo toda a representatividade feminina entre os membros, indo além dos mais destacados e somando também os afiliados, que são jovens pesquisadores de excelência, e os membros correspondentes, que estão radicados no exterior há mais de uma década, elas são 16,4% do total. Isso mesmo: mais de 80% da Academia Brasileira de Ciências é composta por homens.

Na ABC não se faz ciência como nos laboratórios, mas sim política. Discute-se o campo, articula-se políticas públicas, busca-se mais espaço para a ciência brasileira e seus cientistas. Logo, é um espaço de poder e de projeção de cientistas na sociedade.

Embora a Academia exista desde 1916, a primeira mulher que consta nos registros como eleita, a química Aída Hassón-Voloch, entrou apenas em 1962. Carioca, filha de judeus, Hassón-Voloch já acumulava uma especialização em bioquímica na Universidade de Cambridge e outra na Universidade de Nova York quando foi aceita pelos homens como nome à altura da ABC.

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