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19/09/2020 - 16:14 PM

As Quentes da política do DF

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    Moderno e antigo juntos: RAs aderem ao grafite


    Planaltina respira cultura por meio de suas paradas de ônibus | Fotos: Paulo H. Carvalho / Agência Brasília

    A Agência Brasília começou nessa terça-feira (15) uma série de reportagens sobre os investimentos do Governo do Distrito Federal para valorizar a arte urbana e, ao mesmo tempo, impedir atos de vandalismo a monumentos, fachadas, viadutos. Nesta segunda reportagem, conheça as ações das administrações regionais, entre 2019 e 2020, para transformar as cidades.

    A pichação deu lugar às cores, ilustrações e temáticas sociais em praças, muros, parques e paradas de ônibus em várias regiões administrativas do Distrito Federal. Desde o ano passado, as cidades da capital têm recebido cada vez mais a arte do grafite em diversos equipamentos públicos. Em outubro, o Complexo Cultural de Planaltina vai ser grafitado por 15 artistas.

    “A ideia é usar a arte para combater o vandalismo, como pichações. A população gosta e acha bonito esse tipo de expressão. Além de embelezar a cidade, também é uma forma de expor o trabalho desses artistas”
    José Humberto Pires, secretário de Governo

    Doutor em Cultura pela Universidade de Brasília (UnB), Saulo Nepomuceno explica que a arte de pintar paredes vem desde o período ancestral da humanidade. No Brasil e no DF, o grafite começou a se desenvolver na década de 1970, por influência de filmes. “É uma manifestação cultural pública e democrática, disponível para qualquer pessoa a todo momento. Nunca vimos a cidade tão colorida”, ressalta. “Por isso, o apoio da esfera pública é fundamental”, reforça.

    Especialista em arte urbana e cultura periférica, Nepomuceno salienta que incentivar o grafite pelas cidades da capital é uma forma de unir o moderno ao antigo, como é o caso de Planaltina – primeiro Núcleo Urbano do DF. “É uma mistura do antigo com o moderno, causando um efeito estético fabuloso. Mesmo com as mudanças do presente, é possível enxergar as referências artísticas do passado”, informa.

    “É uma manifestação cultural pública e democrática, disponível para qualquer pessoa a todo momento. Nunca vimos a cidade tão colorida”
    Saulo Nepomuceno, doutor em Cultura pela UnB

    Célio Rodrigues, administrador de Planaltina, concorda com a mistura. “Além da necessidade de reconhecer e fortalecer essa arte embelezando e enchendo a cidade de cores, é uma forma de valorizar os espaços que existem em cada região. É um complemento que ajuda e fortalece a identidade cultural de Planaltina”, comenta.

    Além do complexo cultural, as paradas da cidade também passaram por transformação. Ilustrações que remetem ao centenário da cidade mais antiga da capital estão pintadas em 50 paradas de ônibus. A ação foi uma parceria entre a administração regional e empresários da cidade. A meta é que cada setor da cidade tenha um abrigo de transporte público pintado.

    Parada em frente à igreja no centro de Planaltina agora enfeita um dos pontos de celebração da Festa do Divino Espírito Santo | Fotos: Paulo H. Carvalho/Agência Brasília

    O secretário de Cultura e Economia Criativa, Bartolomeu Rodrigues, afirma que o grafite é uma arte espontânea do movimento urbano das periferias e uma das linhas artísticas do hip hop, tão forte nas RAs. “A Secretaria de Cultura dialoga naturalmente com essa força, propondo editais que não só fortaleçam o grafite, mas também gerem renda aos grafiteiros”, destaca o titular da pasta.

    Outras regiões

    O secretário de Governo, José Humberto Pires, lembra que o governo local tem incentivado cada vez mais a arte do grafite pelas ruas da capital. A prova disso são as ações realizadas pelas regiões administrativas. Em Taguatinga, 40 paradas de ônibus receberam pinturas feitas por Fernando Cordeiro, servidor da administração regional e mais conhecido como Elom. O objetivo é que todas ganhem ilustrações.

    Em São Sebastião não foi diferente. Os locais por onde milhares de pessoas passam diariamente mudaram completamente. Sujeira, pichação e colagens irregulares não fazem mais parte da realidade dos usuários de transporte público. Desde o ano passado, 20 abrigos de ônibus passaram pela intervenção. Enquanto dois artistas voluntários doaram talento, comerciantes locais forneceram o material e a administração fez a limpeza dos pontos.

    Arte impulsionada: comerciantes doam material necessário para as pinturas | Foto: Joel Rodrigues / Agência Brasília

    Em novembro do ano passado, 60 artistas da capital e Entorno foram selecionados para pintar o Beco do Rato, localizado no Setor Comercial Sul (SCS). A Secec desembolsou R$ 90 mil para pagar o cachê dos grafiteiros. Durante dois dias, cada participante fez uma intervenção artística de tema livre com até 10 metros quadrados. A programação ainda contou com debates, painéis e apresentações de música e de dança.

    Praças, muros e paradas da Candangolândia também receberam pinturas, assim como a administração do Recanto das Emas, que é repleta de grafites. No Parque do Bosque, localizado no Sudoeste, as áreas comuns, como a administração e os banheiros, ganharam ilustrações. “A ideia é usar a arte para combater o vandalismo, como pichações. A população gosta e acha bonito esse tipo de expressão. Além de embelezar a cidade, também é uma forma de expor o trabalho desses artistas”, comenta o secretário de Governo, José Humberto Pires.

    Investimento

    O grafite se tornou um aliado do governo para embelezar a cidade e evitar pichações em monumentos, prédios e fachadas da capital. Entre 2019 e 2020 foram investidos R$ 277,5 mil para que grafiteiros façam suas pinturas em espaços públicos da cidade.

    Do total investido, R$ 195 mil serão destinados à arte urbana da nova Galeria dos Estados, recentemente reinaugurada após obra de reconstrução decorrente da queda de um viaduto. Nas próximas semanas, a Secec também vai lançar um edital para que mais de 100 artistas façam intervenções urbanas em um local histórico de Brasília.

    Confira na reportagem desta quinta-feira (17): os investimentos do GDF para evitar pichações e como é feita a fiscalização desta contravenção penal, prevista na Lei dos Crimes Ambientais.

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