BRBgate – Se Conselho Fosse Bom, Ninguém Dava, Vendia!

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Conhecida por sua indiscutível eficiência, a Alemanha, além de produzir excelentes automóveis, é também responsável pela autoria de centenas de sábios provérbios. Alguns deles são bastante conhecidos nas terras de cá, como o famoso “se conselho fosse bom, ninguém dava, vendia”.

Em 2015, ao longo de  dias, o então governador Rodrigo Rollemberg e sua equipe receberam diversos avisos sobre o passo que pretendia dar em relação à escolha do presidente do BRB. Vários foram os jornalistas e blogueiros que os alertaram para a situação negativa que cercava o nome de Vasco Cunha.

Entretanto, nenhum deles foi ouvido, ou seja, todos os gratuitos conselhos foram desprezados, e o governador executou a sua pretensão (sob pressão do lobista e amigo Ricardo Leal), indicando o citado funcionário para a Presidência do Banco de Brasília.

O termo “indicar” foi propositalmente utilizado para revelar que, em se tratando de uma instituição financeira, o Chefe do Executivo, embora possua poderes quase que irrestritos em relação a diversos outros órgãos do GDF, tem, em relação ao BRB, uma séria limitação, pois o seu pedido será submetido à Câmara Legislativo do DF  para sabatina, e ao Banco Central do Brasil, por questões legais.

Ainda que não remunerados, todos os conselhos repassados ao governador foram bem intencionados. Afinal, esse é o papel que compete a nós jornalistas: levar informação em benefício da própria sociedade. Quero lembrar aqui que os blogs políticos do DF se tornaram na principal voz na defesa de Brasília. Estamos atentos às manobras de indivíduos que tentam saquear nossa cidade.

Mas apesar de tudo isso, e talvez numa última oferta de conselho gratuito, indicarei a seguir o resumo de uma conversa ocorrida com um experiente funcionário aposentado do Banco Central, que, por questões pessoais, pediu sigilo sobre sua identidade.

Pesava contra Vasco Cunha Gonçalves (e outros) a condenação recebida recentemente pela Superintendência Nacional de Previdência Complementar (Previc), por desobediência ao art. 9º, §1º, da Lei Complementar n.º 109, de 29/05/01; art. 64 do Decreto nº 4.942, de 30/12/03; e art. 1º, caput, do Regulamento anexo à Resolução CMN n.º 3.121, de 25/09/03.

Segundo o ex-funcionário do Banco Central, a análise acerca dos nomes se dá, atualmente, com base na Resolução 4.122, de 02/08/2012, onde se exige, entre outros itens, a reputação ilibada dos pretendentes a cargos de direção em instituições financeiras.

Embora tenha se mostrado bastante ponderado, e tenha deixado claro que há inevitável caráter subjetivo na análise do caso, ele assegurou que havia grande possibilidade de o Banco Central apresentar recusa ao nome do pretendente Vasco Cunha, pois ele se enquadra na conceituação exibida na própria norma do Banco Central, no art. 3º, II, do Regulamento Anexo II à Resolução n.º 4.122, de 02/08/12, sobre o que seria reputação ilibada.

Lá, fala-se que, para verificar a reputação do postulante, o Banco Central levará em consideração a existência de processos judiciais ou administrativos que tenham relação com o Sistema Financeiro Nacional. Assim, ao considerar que a Previc integra o SFN, e que a condenação imputada ao Sr. Vasco sequer permite a apresentação de novos recursos, seria praticamente impossível que o Banco Central autorizasse eventual pedido para a ocupação de cargo de direção em instituição financeira. Além disso, a consequência da infração trouxe considerável prejuízo à entidade de previdência dos empregados do BRB, o que também será levado em consideração pelo Banco Central.

Dito isso, cabe ao governador Rodrigo Rollemberg (que tanto afirmou em campanha, amar Brasília) resolver se finalmente saberá guiar-se por bons conselhos, ou se insistirá no erro. Ele deve lembrar que a última tentativa não foi bem sucedida, e o seu escolhido para o DETRAN foi rapidamente exonerado graças às denúncias feitas pela imprensa, principalmente por este Blog.

Já que a matéria começou com um provérbio alemão, faço-a terminar com outro provérbio de mesma origem: “aceitou dinheiro, perdeu a liberdade”.

Brasília espera que o novo governador não tenha perdido a sua liberdade, e que as suas provas de lealdade estejam sempre vinculadas a bons conselhos – ainda que gratuitos!

Para concluir: Vocês se lembram do conselho dado pelo ex-deputado federal Roberto Jefferson ao então presidente Lula no auge da crise do Mensalão do PT? “Tira o Zé Dirceu de lá (da Casa Civil)”. Pois é. Aqui eu disse com muita propriedade ao então governador Rollemberg: “Retire a indicação de Vasco”.

E agora, como ficou a situação do Sindicato dos Bancários, que por muitas vezes bateu pesado no nome de Vasco? Quem o protegeu por lá? Por quê razões? Ficará omisso? Esta história contarei mais adiante. Confira os links:

http://www.bancariosdf.com.br/site/component/k2/bancarios-do-brb-aderem-a-campanha-nacional-da-categoria
http://www.bancariosdf.com.br/site/component/k2/sindicato-volta-a-defender-democratizacao-da-regius

Eu sei muito bem do que falo. O ex-governador Rodrigo Rollemberg também. Só lhe faltou coragem para dizer “não” ao amigo Ricardo Leal…

Fonte: Donny Silva