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15/09/2020 - 15:54 PM

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    Damiris defende que clubes e patrocinadores apoiem combate ao racismo


    A temporada do basquete norte-americano, realizada em meio à pandemia do novo coronavírus (covid-19), tem sido marcada por diversas manifestações de atletas contra o racismo. Na mais impactante delas, os jogadores das ligas masculina (NBA) e feminina (WNBA) se negaram a atuar por dois dias, em protesto contra o caso Jacob Blake, homem negro baleado nas costas pela polícia, no fim de agosto.

    “Acho que o ano está sendo histórico, com muitos atletas de nome se posicionando. Não acho que já estejamos colhendo os frutos, mas, que esse é o caminho, para que as gerações futuras colham. Tem de continuar lutando. O movimento não pode parar. Nós, atletas, temos que cada mais vez nos posicionarmos e nos unirmos, usarmos nossa visibilidade”, declarou a pivô Damiris Dantas, única representante brasileira na WNBA, em entrevista coletiva por videoconferência nesta terça-feira (15).

    “Fomos à quadra prontas para jogar. Chegando lá, encontramos os times do Washington [Mystics], do Atlanta [Dream] e do Los Angeles [Sparks]. Começamos a conversar e o que foi falado por todas: a liga está se dedicando à campanha desde o começo. Se as coisas não estão mudando, precisamos dar um passo maior, fazermos algo para que as pessoas prestem atenção. Foi quando surgiu a ideia de não jogarmos”, contou a paulista, que atua pelo Minnesota Lynx.

    Damiris, Pivô, WNBA, basquete feminino
    Damiris, Pivô, WNBA, basquete feminino

    Damiris Dantas, do Minnesota Lynx, é a única representante brasileira na WNBA, principal liga norte-americana de basquete feminino – NBAE/Getty Images/Direitos Reservados

    Os protestos contra o racismo ganharam profusão no país após o assassinato de George Floyd, homem negro asfixiado pelo joelho de um policial, em maio. Tanto a NBA como a WNBA permitiram que as franquias e os atletas se manifestassem na retomada das respectivas ligas. Na feminina, os times foram à quadra estampando, na camisa, o nome de Breonna Taylor, jovem negra que foi assassinada dentro de casa, também nos Estados Unidos.

    “Comecei a ter essa consciência quando comecei a jogar na WNBA [em 2012]. Vi que praticamente todas as atletas se posicionam por várias causas. Então, despertou essa vontade. Eu já tinha, mas, era meio tímida, meio acanhada. Quando cheguei aqui, isso aflorou. Senti mais vontade. Eu me senti abraçada pelo time, pelas meninas. O Lynx dá todo suporte para nos posicionarmos”, explicou Damiris.

    “Em termos de Brasil, acho que a gente precisa de mais apoio dos clubes e patrocinadores. Na WNBA, temos o respaldo do time e da liga. No Brasil, falta esse incentivo. Muitos atletas têm medo do que pode acontecer. Agora, teve o caso do Ângelo [Assumpção, ginasta negro que já foi vítima de racismo], que se posicionou e agora está sem clube. Temos que dar as mãos”, completou.

    Damiris, inclusive, não descarta que o reconhecimento – que entende ser menor – dirigido a ela e outras jogadoras brasileiras que se destacaram nos últimos anos, como a pivô Erika e as ex-alas Janeth e Iziane, tenha influência do preconceito racial. Erika e Iziane, por exemplo, disputaram quase 12 temporadas na WNBA, sendo que a primeira foi campeã, em 2002. Janeth não só venceu quatro vezes a maior liga de basquete feminino do mundo, como foi campeã mundial em 1994 e conquistou duas medalhas olímpicas (prata em 1996, bronze em 2000) com a seleção.

    “Será que é mais um racismo? Por que somos negras, talvez? Sou muito próxima da Janeth e, para mim, a tia Jane é a maior jogadora de basquete do Brasil – masculino e feminino. E por que ela não teve o reconhecimento merecido? Por que é negra? Somos quatro atletas representando o país muito bem. A Erika ficou aqui por muitos anos, a Iziane também, a tia Jane ganhou tudo… Espero que esse cenário mude e que, com nós, atletas, tomando posição e cobrando, possamos ter o reconhecimento que merecemos, pelo nosso trabalho e luta”, concluiu.

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